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Quem são os primeiros e os últimos?


Em Mateus 20.16a, está escrito: “Assim, os últimos serão primeiros, e os primeiros, últimos”.

Isso se aplica ao povo de Israel ou aos cristãos?

Para que possamos entender o texto bíblico em referência, é imprescindível que leiamos os quinze versículos anteriores. Assim, veremos que o assunto principal tratado ali é o galardão: o dono de casa saiu em horários diferentes para contratar trabalhadores para sua vinha. E fez isso pela manhã, pela terceira hora, pela sexta hora e pela nona hora. Na undécima hora, ele procurou e achou pessoas dispostas a trabalharem em sua vinha. Com os primeiros trabalhadores, ele acertou o salário de um denário, que era o pagamento de um dia de trabalho naquela época. Aos demais, simplesmente prometeu: “Vos darei o que for justo”.

À noite, quando foi pago o salário, um fato curioso pôde ser observado: aqueles que trabalharam o dia inteiro na vinha não foram os primeiros a receber o pagamento. A sequência começou com os trabalhadores contratados por último — e, para surpresa geral, esses últimos receberam um denário como pagamento. Por isso, não é de admirar que os que haviam sido contratados antes esperassem um salário maior! Mas, aí aconteceu a grande decepção: eles só receberam o que lhes havia sido prometido.

Como cristãos, somos chamados pelo Senhor para trabalharmos em sua vinha, pois não podemos levar uma vida passiva. O Senhor espera que trabalhemos com o tempo, os dons, a força e o dinheiro que Ele nos dá: “Chamou dez servos seus, confiou-lhes dez minas e disse-lhes: Negociai até que eu volte” (Lc 19.13). Em Romanos 12.11, somos exortados a ser diligentes, esforçados: “Não sejais vagarosos no cuidado, mas sede fervorosos no espírito, servindo ao Senhor”. Mas se, apesar disso, formos relapsos, então Hebreus 12.1 nos revela a verdadeira razão da nossa preguiça, e nos exorta a tirá-la de nossa vida: “Desembaraçando-nos de todo peso, e do pecado que tenazmente nos assedia, corramos com perseverança a carreira que nos está proposta”.

Sem dúvida, muitos filhos de Deus se esforçam ao extremo. Mas, um dia, hão de perguntar, como Pedro: “Nós deixamos tudo, e te seguimos! O que, então, haverá para nós?” (Mt 19.27). Jesus, imediatamente, dá a resposta. Em seguida, prossegue em seu discurso com a parábola do dono da casa.

Por favor, amado leitor, vá até o final de Mateus 19. O que essa parábola pretende nos ensinar? Encontramos uma pista segura no texto de Mateus 20.1: “Porque o reino dos céus é semelhante a um pai de família”. Já que o reino dos céus não é terreno, também não está sujeito a regras terrenas. O que conta no reino dos céus não é o nosso esforço ou correria, mas, sim, a graça e a misericórdia de Deus: “Mas se é pela graça, já não é pelas obras; de outra maneira, a graça já não é graça” (Rm 11.6). “Assim, pois, não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus, que se compadece” (Rm 9.16).

É claro que somos chamados para agir e fazer! Mas, quem se esforça apenas cumprindo obrigações ou simplesmente porque existe uma recompensa prometida, em verdade, esse já recebeu o seu galardão. Quem, entretanto, age em confiança infantil, crendo que o Senhor é bom e justo, esse receberá muito mais do que imagina! (1Co 3.11). Jesus é o grande presente de Deus para nós! E vale a pena servi-lo, mesmo sem questionar o que vamos ganhar com isso. Muitos, que já são crentes há bastante tempo, que foram os “primeiros”, mas se esforçaram em praticar justiça própria ou legalismo ativista, serão considerados “últimos”, enquanto outros, que se converteram mais tarde e, portanto, seriam “últimos”, serão considerados pelo Senhor “primeiros”, porque serviram ao seu Senhor com grande amor e fidelidade.

As palavras do texto bíblico em referência: “Assim, os últimos serão primeiros, e os primeiros, últimos”, além do exposto, têm um significado profético. Vejamos. Em primeiro lugar, Deus escolheu Israel para si, mas Israel não foi capaz de manter essa aliança com Deus. Então, Deus se voltou para as nações. Assim, os últimos passaram a ser os primeiros, pois o sangue da nova aliança clamava por graça. Por causa da queda de Israel, a salvação chegou até nós. Não podemos deixar de ler os capítulos 9 a 11 de Romanos, dando atenção especial ao texto de Romanos 11.25, que diz: “Não quero, irmãos, que ignoreis este segredo (para que não presumais de vós mesmos), que o endurecimento veio em parte a Israel, até que a plenitude dos gentios haja entrado”. Devemos assimilar bem essas duas palavrinhas “até que”.

Deus não rejeitou o seu povo! Jamais. Também realizará seu propósito na vida dos primeiros que se tornaram últimos!


Deus ouve a oração dos não crentes?


Várias vezes, temos lido que o pecado nos separa de Deus, e que essa separação nos leva ao inferno. Pecado e Deus se excluem mutuamente. Ou seja, pecadores e Deus se excluem mutuamente. Será que isso é verdade? Quer dizer que os pecadores não podem ter comunhão com Deus? Isso significa que eles podem orar o quanto quiserem, mas não serão ouvidos? Ou seja, nós, cristãos, deveríamos orar por eles com mais intensidade? Mas, será que podemos ou devemos dizer aos nossos conhecidos não salvos que suas próprias orações não podem ser atendidas?

O que lemos sobre o assunto é verdade. Mas, graças a Deus por isso, essa não é toda a verdade. Se, por um lado, temos de aceitar com tremor que o santíssimo e justo Deus e o pecado se excluem mutuamente, por outro, podemos nos firmar no amor de Deus, baseados nas Sagradas Escrituras, pois Deus é amor (1Jo 4.8) e, em função do seu amor, Ele ama o pecador com amor sem fim! E foi exatamente esse amor que o impeliu a entregar o seu próprio Filho, que veio ao mundo abrir caminho para o pecador, a fim de que o perdido pudesse ter comunhão com Deus — o Deus da luz, em quem não existe escuridão! (Jo 3.16-18).

E o Senhor fez isso quando ainda éramos pecadores: “Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores” (Rm 5.8). Na realidade, uma pessoa só pode chamar o Criador do céu e da terra de “amado Pai” depois que se reconciliou com Ele pelo sangue de seu Filho, depois que foi perdoado o pecado que se interpunha entre o Deus vivo e o pecador. Jesus Cristo é o único mediador entre Deus e o homem (1Tm 2.5). Por isso, na oração, só deveríamos nos aproximar de Deus por intermédio de Jesus.

Sem dúvida, nós, como renascidos, temos a grandiosa missão de alcançar nossa geração com o evangelho e de lutar em oração pela salvação de almas preciosas. Mas, será que o próprio Deus não está agindo? É claro que sim, pois o seu amor salvador está sempre em ação. E o que Deus realiza o próprio Jesus o diz em João 6.44,45: “Ninguém pode vir a mim se o Pai que me enviou não o trouxer [...] Ninguém poderá vir a mim, se pelo Pai não lhe for concedido”.

Em 1Timóteo 2.4, está escrito que Ele “deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade”. Deus, porém, não criou o homem como um fantoche, antes, criou o homem como um ser cuja vontade é respeitada e cujas decisões são aceitas. Quem procura sinceramente pela verdade, e está disposto a se sujeitar a ela, irá encontrá-la, pois vale a promessa de que Ele é “escudo para os que caminham na sinceridade” (Pv. 2.7b).

É claro que podemos e devemos orar pelas pessoas que o Senhor traz à nossa lembrança. O que mais importa não é o tempo em que já somos filhos de Deus. Não! O que de fato é importante é o nosso andar na luz e na fé. É isso que conta. E mais. Devemos ter o cuidado para orar sempre em espírito, baseados na Palavra de Deus, e não com base em nossas emoções. Isso significa, entre outras coisas, que, em primeiro lugar, devemos orar pela salvação das pessoas e, só depois, orar pela saúde ou por outro problema que elas tiverem.

Seria completamente errado dizermos aos nossos conhecidos e parentes não crentes que suas orações são em vão! Devemos lhes mostrar a grandeza da salvação em Jesus Cristo, dizendo-lhes que só Jesus é o caminho, a verdade e a vida, e que fora de Jesus não se alcança o perdão dos pecados.

Mas, além de tudo isso, não nos compete dizer que Deus ouve ou não as orações dos descrentes. Quando uma pessoa ora, por exemplo, assim: “Deus, se o Senhor existe, revele-se a mim”, será que Deus não ouve uma oração dessas? O nosso Deus é um Deus soberano, e o ser humano é apenas humano, com todas as suas incapacidades e limitações. Por isso, jamais devemos tentar colocar Deus dentro de um padrão humano.


Por Elsbeth Vetsch

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