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Abraão era judeu?


Na verdade, Abraão ou Abrão, como ele se chamava inicialmente, não era judeu de berço. Gênesis 11.26-28 diz o seguinte sobre a origem de Abraão: “Viveu Tera setenta anos e gerou a Abrão, a Naor e a Harã. São estas as gerações de Tera. Tera gerou a Abrão, a Naor e a Harã; e Harã gerou a Ló. Morreu Harã, na terra de seu nascimento, em Ur dos caldeus, estando Tera, seu pai, ainda vivo”.

Sobre Ur, lemos em um dicionário bíblico: “Cidade muito antiga no Sul da Babilônia, que se identifica como Tell el-Muqayyar; ela estava situada na margem direita do rio Eufrates, a meio caminho entre Bagdá e o Golfo Pérsico. Tera e seus filhos — entre eles, Abrão — nasceram em Ur e de lá se mudaram para Harã”. Portanto, a pátria de Abraão ficava na Babilônia. Josué também salienta isso no seu “discurso à nação”. Vejamos: “Assim diz o Senhor, Deus de Israel: Antigamente, vossos pais, Tera, pai de Abraão e de Naor, habitaram dalém do Eufrates e serviram a outros deuses” (Js 24.2). Abraão, de fato, descendia de Sem, portanto, era um semita, mas ele servia a quaisquer outros deuses babilônicos. Ter origem semítica ainda não significava ser o patriarca de Israel, mas simplesmente que Canaã lhe seria submisso, seria seu servo (Gn 9.26).

A mudança, porém, só ocorreu em Gênesis 12. Ali, houve um acontecimento que não desestruturou apenas o pequeno mundo de Abraão, mas trouxe conseqüências que hão de perdurar até o fim dos tempos. O Deus soberano chamou um único homem, ordenou-lhe que deixasse sua terra e partisse para uma terra distante que o próprio Senhor lhe mostraria. O Senhor não lhe disse o nome dessa terra. Por isso, Abraão não sabia em que se envolveria, mas creu na promessa que lhe foi dada a seguir: “De ti farei uma grande nação, e te abençoarei, e te engrandecerei o nome. Sê tu uma bênção!” (Gn 12.2). Embora somente seu neto Jacó tenha recebido o nome de Israel (Gn 32.28), isso não muda o fato de Abraão ser o patriarca do povo de Israel. Pois, Abraão, Isaque e Jacó sempre são mencionados em conjunto (Gn 50.24; Êx 33.1; Lv 26.42; Nm 32.11; Dt 1.8; Mt 1.2; Lc 13.28; Hb 11.8,9, entre outros) A base para isso é e continuará sendo a aliança de Deus com Abraão.

O termo judeu, muitas vezes, é usado como sinônimo de Israel, mas deveríamos lembrar que isso não é historicamente exato, pois o reino de Davi se dividiu depois da morte de Salomão (930 a.C.). Formou-se, por um lado, o reino do Norte (as dez tribos de Israel) e, por outro, o reino do Sul (as duas tribos de Judá, os descendentes de Judá e Benjamim — cf. 1Rs 12). Depois do cativeiro babilônico, o nome “judeu” é usado de modo geral para os habitantes da Judéia. É interessante que, no Novo Testamento, Jesus é chamado de “Rei dos judeus” pelos estrangeiros (Mt 2.2; 27.11), enquanto os próprios judeus o chamaram de “rei de Israel” (Mt 27.42). Atualmente, não importa mais se um judeu ou uma judia descende de Judá, de Benjamim ou de qualquer uma das outras dez tribos. Usa-se a designação “judeus” genericamente para essa comunidade étnica que sobreviveu, apesar de séculos de perseguição, porque Deus confirmou sua aliança com Israel por meio de um juramento e conduzirá seu povo para o alvo. Aleluia!


Por Elsbeth Vetsch

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