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Os irmãos literais de Jesus eram, na verdade, seus primos?


Em Mateus 12.47, na Bíblia católica, na versão dos "Monges Maredsous", o tradutor teceu o seguinte comentário sobre os "irmãos" de Jesus no rodapé da página: "Irmãos: na língua hebraica esta palavra pode significar também 'parentes próximos' ou 'primos', como neste caso. Exemplo: Abraão, tio de Lot, chama-o com a designação de irmão (Gn 11.27; 13.8)".

A palavra "irmão", no hebraico, pode significar primo, mas, mesmo em tais casos temos de ser cautelosos. Geralmente, quando a palavra "irmão" é empregada no sentido de parente próximo, o contexto esclarece a questão: "Os filhos de Merari: Mali, e Musi; os filhos de Mali: Eleazar e Quis. E morreu Eleazar, e não teve filhos, porém filhas; e os filhos de Quis, seus parentes, as tomaram por mulheres" (1Cr 23.21-22). Além disso, o Novo Testamento foi escrito em grego e não em hebraico.

Não devemos nos esquecer de que quando o Novo Testamento faz referências aos irmãos de Jesus os contextos não trazem nenhum tipo de esclarecimento adicional, como acontece no Antigo Testamento. Além disso, os escritores sabiam a diferença entre os termos "irmão" (adelphós), "primo" (anepsiós) e "parentes" (sunggenes). Mesmo Paulo, que usava muitas metáforas, sabia usar com distinção essas palavras. Tanto é que escreveu sobre os "irmãos" de Jesus sem deixar nenhuma dúvida quanto ao laço carnal entre o Senhor e seus irmãos. Vejamos:


Os irmãos literais de Jesus eram, na verdade, seus primos?

Não havia motivo de confusão. O apóstolo empregava os termos sem problemas: "Saúda-vos Aristarco, meu companheiro de prisão, e Marcos, o primo (anepsiós) de Barnabé..." (Cl 4.10). "Saudai a Herodião, meu parente (sungene)" (Rm 16.11). Caso a tese católica estivesse correta, o apóstolo poderia muito bem ter usado a expressão hoi anepsiós Kyriou (primos do Senhor), e não adelphói tou Kyriou (irmãos do Senhor), até porque os irmãos de Jesus estavam vivos quando o apóstolo escreveu as duas epístolas.

Diante do exposto, a única conclusão plausível a que podemos chegar é que os "irmãos" de Jesus eram realmente seus irmãos legítimos, queremos dizer, nascidos do ventre de Maria.


Por Gilson Barbosa

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