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O que o apóstolo João quis dizer com "há pecados para a morte"?


São pecados que podem levar à morte física.

"Se alguém vir pecar seu irmão, pecado que não é para morte, orará, e Deus dará a vida àqueles que não pecarem para morte. Há pecado para morte, e por esse não digo que ore. Toda iniqüidade é pecado, e há pecado que não é para morte" (1Jo 5.16,17).

O catolicismo romano classifica os pecados em duas categorias: mortal e venial, e apresentam o texto bíblico supracitado a fim de "provar" a existência destas duas categorias. Os pecados graves e cometidos conscientemente são classificados como "mortais"; os pecados praticados ignorantemente são chamados de "veniais". Se a pessoa cometer o "pecado mortal" estará separada de Deus e, se não receber o perdão, acabará sendo condenada eternamente. Já o pecado "venial" é considerado menos grave, não realizado deliberadamente, sem a consciência do protagonista,e pode ser perdoado por meio de penitências. A questão que deve ser analisada, porém, está no fato de que existem pecados considerados "mortais" para a igreja romana e que acabam sendo classificados como "veniais". Como um sacerdote poderia, no momento da confissão de pecados de algum fiel, determinar precisamente os pecados que este teria realizado deliberadamente ou não?

Há também os que interpretam que a morte, o efeito do pecado, a qual João se refere, é a morte física. Estes acreditam que Deus alcança a todos com sua graça. A outra interpretação é a de que a morte referida no texto seja a espiritual (a separação de Deus) e, assim sendo, haveria pecado que levaria o homem à morte eterna, sobre a qual não adiantaria orar, visto que tais pecadores já estão terminantemente condenados à eterna perdição. A justificativa final para tal condenação seria a apostasia.

Apesar de haver divergência interpretativa desse texto, há, no entanto, o consenso de que não se trata da questão de diferenças de pecados, como são classificados pela Igreja Romana. Temos de considerar que há circunstâncias em que realmente a atitude de orar pela pessoa que peca deliberadamente se torna uma ação frustrante. Estamos falando de pessoas que já determinaram em seus corações persistirem nos seus caminhos pecaminosos.

O texto em discussão não comenta nada acerca do "pecado imperdoável". No entanto, seria bom que o entendêssemos como se referindo a pecados que levam à morte física, o que não implica necessariamente que a pessoa irá se perder eternamente. Até porque os cristãos são aconselhados, pela Bíblia, a orar pelas pessoas, independentemente de seus pecados ou de sua condição religiosa. Note, por exemplo, o apelo do apóstolo Paulo, para que oremos até mesmo pelas autoridades governamentais (Rm 13.1-7).


Por Gilson Barbosa

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