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Se Jesus foi gerado pelo Espírito Santo, por que Ele é chamado de "Filho do Homem"?


A expressão "Filho do Homem" identifica o Messias com a própria humanidade.

"Porque o Filho do homem veio salvar o que se tinha perdido" (Mt 18.11).

O mistério da encarnação de Jesus é um fato já resolvido entre os protestantes. Todos sabem da necessidade de tal acontecimento, visto ser esta a única forma pela qual o próprio Deus determinou que poderia salvar o homem: "Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos" (Gl 4.4,5).

Assim como no período veterotestamentário a expiação realizada por meio do sacrifício e do derramamento de sangue de um animal cobria temporariamente o pecado praticado, no período neotestamentário Jesus também é o antítipo deste sacrifício expiatório, o que implicou que Ele tivesse um corpo real e humano: "Por isso, entrando no mundo, diz: sacrifício e oferta não quiseste, mas corpo me preparaste" (Hb 10.5). Era necessário que o Cristo derramasse seu sangue para a remissão: "E quase todas as coisas, segundo a lei, se purificam com sangue; e sem derramamento de sangue não há remissão" (Hb 9.22). E, ainda, que Ele fosse o próprio sacrifício: "No dia seguinte João viu a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo" (Jo 1.29).

Para que o propósito divino tivesse êxito, o Filho de Deus teria de tomar sobre si a humanidade completa. Era necessário que em tudo se tornasse um de nós (Hb 2.17). O que o Filho fez ao torna-se carne foi traduzir o Deus inacessível para uma forma que a humanidade pudesse compreender. Entretanto, apesar de ter uma família e ser gerado no ventre materno, Jesus foi concebido diferentemente de seus demais irmãos e irmãs, pois sua concepção se deu sem a necessidade da cópula conjugal. O nascimento virginal e miraculoso de Cristo é claramente afirmado nos evangelhos.

A expressão "Filho do Homem" é, antes de tudo, um título messiânico. A menção bíblica sobre este título não insinua que Jesus foi fruto de uma relação sexual entre José e Maria. José era pai legal e não biológico de Jesus. Nos lábios de Jesus, o título vai mais longe, identificando o Messias com a própria humanidade. O emprego da palavra "filho" se caracteriza neste contexto como um hebraísmo, uma forma própria de expressão dos semitas que identifica as qualidades de uma pessoa. Por isso, uma série de expressões sé empregada com a palavra "filho", como, por exemplo, "filhos do reino" (Mt 8.12); "filho da perdição" (Jo 17.12); "filhos da ressurreição" (Lc 20.36), e assim por diante.

Por meio do título "Filho do Homem", o Filho de Deus se identificou com a humanidade de uma forma quase que completa, reservando-se somente seu nascimento virginal e sua vida imaculada.


Por Gilson Barbosa

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