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De acordo com a explicação na Bíblia Apologética (Gn 37.35,36; Sl 16; Lc 16.19-31), antes da vinda de Cristo o mundo invisível dos mortos estava num mesmo lugar embaixo da terra. Como conciliar esta explicação com os textos de 2Reis 2.11, Gênesis 5.24 e Provérbios 15.24, que dizem que subiram e não que desceram? E se subiram, como interpretar João 3.13?


Existem algumas exceções nas Escrituras que devem ser entendidas com uma significação real.

A Bíblia é a Palavra de Deus revelada ao homem. Foi escrita com o objetivo de comunicar a vontade de Deus à humanidade, mas principalmente ensinar a Igreja. Inicialmente, devemos ter em mente três coisas para que possamos entender a Bíblia.

Primeiro, Deus revela ao homem coisas terrenas e celestiais, sendo esta última de difícil entendimento. É necessário compreendermos o objetivo maior das Escrituras.

Segundo, foi necessário que Deus nos falasse usando uma linguagem que pudéssemos entender, pois, ainda que sua Palavra seja perfeita, nosso entendimento não é. Existem algumas exceções nas Escrituras que devem ser entendidas com uma significação real, ou seja, devemos buscar o entendimento espiritual — e somente o Espírito Santo poderá indicar uma compreensão mais profunda (veja Hb 9.8). A Bíblia Apologética tem como objetivo defender as doutrinas cristãs de maneira clara para o alcance do povo cristão.

E terceiro, quanto à posição do inferno, as Escrituras ora afirmam sua localização nas “partes inferiores da terra”, ora “embaixo”. Enquanto os céus e qualquer outra afirmação positiva no relacionamento com Deus são referidos como algo acima, aquilo que está numa posição negativa para com Deus é mencionado como inferior. Então, segundo o conhecimento dos servos de Deus, antes do Calvário, ainda que a morte significasse descer, como no caso de Jacó, Davi e Lázaro, a exceção poderia existir, como no caso dos arrebatamentos de Enoque e Elias. E sabemos que as exceções sempre têm algo a enfatizar. Esse foi o objetivo de Deus, enfatizar, indicando algo novo, que no Novo Testamento representa o arrebatamento da Igreja.

Mas Enoque e Elias realmente subiram? Sim! Subiram, ainda que, neste caso, fossem uma exceção! Como, então, conciliar esse fato com o que está escrito em João 3.13?, que diz: “Ora, ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu, o Filho do homem que está no céu”. Jesus teria se equivocado? Não! Pois Ele é a própria Palavra de Deus! O apóstolo Paulo, escrevendo aos romanos (10.6,7), esclarece a questão mencionando o texto de Deuteronômio 30.11-14, no qual Deus afirma que a Lei não estava além do alcance dos israelitas. Segundo o texto, os israelitas não precisam da ajuda de alguém para que pudessem entender o significado de “subindo ao céu ou descendo ao abismo”.

Agora, Jesus usa de autoridade para falar de coisas celestiais. Que autoridade é essa? Ora, ninguém subiu aos céus com o objetivo de ensinar as coisas celestes (realmente Enoque e Elias não subiram para depois descerem e ensinarem a Israel), senão o que desceu do céu, o Filho do homem, Cristo Jesus.


Por Simone Guerreiro

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