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Façamos o homem à nossa imagem (Gn 1.26,27)


Raelianismo. O líder do movimento afirma que este texto se refere à clonagem dos elohim. Com isso, está querendo dizer que o homem é o criador de suas próprias imagens e semelhanças.

Resposta apologética: A idéia de que a raça humana é fruto de uma criação alienígena remonta a 1935, quando o escritor Erick Von Daniken lançou seu livro Eram os deuses astronautas? Como as demais seitas ufológicas, os raelianos apenas adaptaram essa idéia antiga à sua filosofia. A Bíblia ensina que a vida só é possível pelo ato criador. Mesmo que no espaço existam planetas semelhantes ao nosso, lá não existiria vida se o Senhor não a tivesse criado. E se Deus tivesse criado vida em outros planetas, e essas criaturas nos visitassem algum dia, o próprio Deus não nos teria deixado ignorantes a respeito. Podemos deduzir isso de Isaías 34.16. Além disso, Deus nos informou sobre detalhes muito exatos do futuro (por exemplo, a volta de Jesus, o fim deste mundo — respectivamente, Mt 24 e todo o de Apocalipse). Um dia, os céus serão enrolados como um pergaminho envelhecido (Is 34.4; Ap 6.14). Assim, se Deus de fato tivesse criado seres viventes em outro lugar (ou mundos), Ele, automaticamente, iria destruir a morada desses seres.

Testemunhas de Jeová. Declaram que o verbo “façamos” (1a. pessoa do plural, “nós”) e o respectivo pronome possessivo “nossa” (também 1a pessoa do plural) deveriam ser interpretados como sendo o Criador falando ao mestre-de-obras, Jesus. Declaram, ainda, que a pluralidade se refere à majestade. O propósito desta interpretação é negar a doutrina bíblica da Trindade.

Resposta apologética: A doutrina cristã da Trindade é biblicamente explicada pelos seguintes fundamentos: a.) Há um só Deus (Dt 6.4; Is 43.10; 45.5,6); b.) Esse único Deus é uma pluralidade de pessoas (1.26; 3.22. Comparar Is 6.1-8 com Jo 12.37-41 e At 28.25); c.) Há três pessoas chamadas de Deus e eternas por natureza: o Pai (2Pe 1.17), o Filho (Jo 1.1; 20.28; 1Jo 5.20) e o Espírito Santo (At 5.3,4).

As Escrituras atribuem a Jesus a criação de todas as coisas: “Sem ele nada do que foi feito se fez” (Jo 1.3). Em Jeremias 10.11, lemos: “Os deuses que não fizeram os céus e a terra desaparecerão da terra e de debaixo deste céu”. Atribuir a Jesus divindade secundária é politeísmo. Ver Isaías 43.10: “Antes de mim deus nenhum se formou, e depois de mim nenhum haverá”. Além disso, os reis e governadores não usavam a pluralidade ao falarem ao povo ou ao fazerem seus decretos. Por exemplo: “Assim diz Ciro, rei da Pérsia” (Ed 1.2). E: “Esta é, pois, a cópia da carta que o rei Artaxerxes deu ao sacerdote Esdras, o escriba das palavras dos mandamentos do SENHOR, e dos seus estatutos sobre Israel: Artaxerxes, rei dos reis, ao sacerdote Esdras, escriba da lei do Deus do céu; paz perfeita [...] Por mim se decreta que no meu reino” (Ed 7.11-13). Vemos, nessas passagens, que os reis empregavam tanto a terceira pessoa do singular: “Assim diz Ciro” (e não “dizem” ou “dizemos”), quanto a primeira pessoa do singular: “Por mim se decreta” (e não “por nós se decreta” ou “decretamos”).

Unicismo. Deus estaria falando com os anjos (e não deixa de citar, ainda, Gn 3.22; 11.7).

Resposta apologética: Esta interpretação não resiste à análise do contexto, pois o versículo 27 diz claramente: “E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou”. O homem não foi criado à imagem dos anjos, mas à imagem de Deus. Se neste texto Deus estivesse falando com seres angelicais, estes teriam de ser iguais a Deus, já que, no versículo 27, lemos: “à imagem de Deus o criou” e não à imagem de anjos. Além disso, se Deus estivesse falando com os anjos (1.26), então os anjos também seriam criadores do homem. Essa teoria é contrária às Escrituras, porque só Deus é o Criador (Is 44.24; 45.5-7, 18).

Igreja local. Declara: “Gênesis 1 e 2 dão-nos um quadro da criação de Deus, mostrando-nos a economia divina. Até mesmo na criação de Deus há um quadro do desejo de Deus de dispensar-se para dentro do seu homem criado. Devo testificar que o meu único encargo e o meu único interesse é a economia de Deus. Deus quer dispensar a si mesmo para dentro de nós para nos fazer homens-deus, não homens bons. Um cristão não é meramente um homem bom, mas um homem-deus. Fomos feitos à imagem de Deus com um espírito para recebê-lo para dentro de nós como nossa vida, nosso suprimento de vida e como tudo para nós para ser o nosso conteúdo, a fim de que sejamos homens-deus”.

Teologia da Prosperidade. Um dos seus mestres afirma: “Deus disse: Façamos o homem à nossa imagem, segundo a nossa semelhança. A palavra semelhança, no original hebraico, significa ‘exata duplicação de uma espécie’ [...] Adão era uma duplicação exata da espécie de Deus”.

Resposta apologética: Lemos nas Escrituras que a primeira criatura que tentou tornar-se igual a Deus foi Satanás (Is 14.12-14; Ez 28.14-16). Depois foi ao Éden e ofereceu a divinização ao homem: “sereis como Deus” (Gn 3.5). O homem acreditou na mentira satânica e, por conta disso, trouxe desgraça sobre a humanidade (Rm 5.12). Deus e os homens são, todavia, de naturezas distintas (Is 31.3; Ez 28.2,9). Embora sejamos criados à imagem de Deus, não possuímos nenhum dos atributos intransferíveis ou incomunicáveis de Deus — tais como: auto-existência, imutabilidade, onipotência, onisciência, onipresença e soberania absoluta. Por exemplo: Deus é eterno (Sl 90.2), mas o homem foi criado num ponto do tempo (Gn 1.26-31; Jó 38.4,21); Deus conhece tudo, até mesmo o coração do homem (Sl 147.5; Is 40.13,14), mas o homem é ignorante acerca das coisas de Deus (1Co 1.25).

Ciência Cristã. Ensina que a humanidade é co-eterna com Deus. Nas palavras de sua fundadora, Mary Baker Clover Patterson Eddy, “homem e mulher — como coexistentes e eternos com Deus — para sempre refletem, em glorificada qualidade, o Deus Pai-Mãe infinito”.

Resposta apologética: A visão da Ciência Cristã contém vários erros de interpretação bíblica. Contradiz o significado das palavras imagem e semelhança ao afirmar que o gênero humano é como Deus em todos os aspectos. A palavra imagem (em hebraico, tzehlem), quando usada para descrever a relação entre os ídolos e os falsos deuses, indica que os ídolos são apenas uma representação dos deuses e não os deuses em si mesmos (V. Nm 33.52; 2Cr 23.17; Ez 7.20). A palavra criar (em hebraico, bara) indica que algo vem a ser, passa a existir. Portanto, não pode estar se referindo ao que é eterno. No Antigo Testamento, o termo bara jamais é empregado em relação ao que é eterno. O mesmo acontece no Novo Testamento (V. Cl 1.15-16; Ap 4.11). É igualmente falacioso o argumento de Eddy, quando diz que se nós somos como Deus, Deus deve ser como nós. Ela se refere a Deus tanto no masculino quanto no feminino (“Deus Pai-Mãe”), o que é conhecido na Lógica como “conversão ilícita”. Porque todos os cavalos têm quatro patas não quer dizer que todos os seres de quatro patas são cavalos. Da mesma forma, pelo fato de Deus ter criado homens e mulheres não significa que o próprio Deus seja masculino e feminino. “Deus é Espírito” (Jo 4.24), ainda que os seres humanos criados por Ele possuam corpos (2.7). O Antigo Testamento é monoteísta e distingue claramente entre o Criador e o mundo criado, enquanto a Ciência Cristã é panteísta e desconhece essa distinção. Uma interpretação panteísta do Antigo Testamento tenta inserir o Deus da Bíblia na visão panteísta do Universo, mas nega-lhe um atributo essencial, o de Criador de tudo quanto existe. Além disso, cada ser humano é uma criatura finita trazida à existência por Deus, que é infinito e eterno.

Mormonismo. Busca, nesta passagem, fundamento para a idéia de que Deus tem um corpo físico. É da opinião de que como o ser humano criado possui um corpo de carne e osso, Deus Pai também deve ter um corpo físico, já que a humanidade foi criada à sua imagem. Afirma seu fundador: “O Pai possui um corpo de carne e ossos tão tangível como o do homem”.

Resposta apologética: Um princípio fundamental da Bíblia é que ela interpreta a si mesma. Outros textos da Sagrada Escritura sobre a natureza de Deus desautorizam a interpretação mórmon desta passagem. Deus é Espírito (Jo 4.24), e um espírito não tem carne nem osso (Lc 24.39). Deus Pai, portanto, não tem um corpo de carne e osso. O principal argumento contra o mormonismo, todavia, é que o Criador é Deus, não homem (Nm 23.19, Is 45.12; Os 11.9; Rm 1.22,23).


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