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Farás também dois querubins (Êx 25.18; 37.7)


Catolicismo Romano. Para escapar da acusação de que seus fiéis praticam a idolatria, a Igreja Católica Romana desenvolveu três argumentos básicos. O primeiro deles é que o texto de Êxodo 20.4,5 não se tratava (ou não se trata) de uma proibição absoluta, mas condicionada pelas circunstâncias em que os israelitas, visto que o próprio Deus lhes mandou construir imagens sagradas (25.17-22; 1Rs 6.23-29; 7.23-28; 1Cr 22.8-13).

O segundo argumento desenvolveu a teoria da pedagogia divina, que é resumida da seguinte forma por dom Estevão Bettencourt: “...Os cristãos foram percebendo que a proibição de fazer imagens no Antigo Testamento tinha o mesmo papel de pedagogo (condutor de crianças destinado a cumprir as suas funções e retirar-se) que a Lei de Moisés em geral tinha junto ao povo de Israel. Por isso o uso das imagens foi-se implantando. As gerações cristãs compreenderam que, segundo o método da pedagogia divina, atualizada na Encarnação, deveriam procurar subir ao Invisível passando pelo visível que Cristo apresentou aos homens; a meditação das fases da vida de Jesus e a representação artística das mesmas se tornaram recursos com que o povo fiel procurou aproximar-se do Filho de Deus. Assim criaram a idéia de que, nas igrejas, as imagens tornaram-se a Bíblia dos iletrados, dos simples e das crianças, exercendo função pedagógica de grande alcance. É o que notam alguns escritores cristãos antigos: ‘O desenho mudo sabe falar sobre as paredes das igrejas e ajuda grandemente’. O que a Bíblia é para os que sabem ler, a imagem o é para os iletrados”.

O terceiro argumento criou a teoria da distinção de devoção ou culto: dulia (devoção aos santos e aos anjos), hiperdulia (devoção a Maria) e latria (culto prestado a Deus).

Resposta apologética: Deus proibiu seu povo de confeccionar e cultuar imagens, estátuas, ou qualquer outro objeto ou ser, visto que os povos pagãos atribuíam a esses artefatos de barro, madeira, ou de qualquer material corruptível, caráter religioso, acreditando, inclusive, que a divindade se fazia presente por meio de tal prática.

O Deus Todo-Poderoso instruiu seu povo a não cultuar imagens (20.23; 34.17), por isso, as imagens que mandou confeccionar não tinham por objetivo elevar a piedade de Israel e muito menos serviam de modelo para reflexão ou conduta: eram apenas símbolos decorativos e representativos. É o caso da Arca da Aliança, dos querubins no tabernáculo e no templo, entre outros utensílios (1Rs 6.23-29; 7.23-26; 1Cr 22.8-13) e ornamentos (1Rs 7.23-28). Essas figuras jamais foram adoradas ou veneradas ou vistas como objetos de devoção ou adoração. Se os filhos de Israel tivessem agido dessa forma, Deus teria mandaria destruir esses objetos, como aconteceu com a serpente de bronze que Moisés levantou no deserto e o povo a transformou em objeto de culto (2Rs 18.4).

Quando analisamos esta questão na história de Israel na antiguidade (o povo hebreu que recebeu os mandamentos de Deus) e dos judeus religiosos de hoje, que procuram se manter fiéis a Deus, entendemos que, embora o Antigo Testamento proibisse, relativamente, a confecção de imagens, a adoração ou culto a essas imagens era absolutamente proibido: “Não te prostrarás diante delas e não lhes prestarás culto” (20.4b).

Em algumas sinagogas do século 3o (e em algumas mais recentes), encontramos pinturas de heróis da fé em seus vitrais, mas nunca veremos judeus orando, cultuando ou invocando Moisés, Abraão ou Ezequiel. Não existem argumentos e evidências que justifiquem o culto, a veneração ou a fabricação de imagens no Novo Testamento.

Considerando o segundo argumento apresentado pelos católicos, de que um dos objetivos da Igreja romana é ensinar a Bíblia ao povo por meio das imagens, especialmente aos menos alfabetizados, surgem-nos algumas perguntas: a.) Por que cultuar imagens, se o objetivo é ensinar a Bíblia?; b.) Por que, após tantos anos, com milhares de católicos já alfabetizados, os fiéis ainda insistem em cultuar imagens? c.) Se as imagens fossem realmente o livro daqueles que não sabem ler, por que os católicos alfabetizados são tão devotos e apegados a elas?; d.) Será que podemos desobedecer a Bíblia para superar uma deficiência de entendimento? e.) Onde está a base bíblica para a teoria da pedagogia divina?; f.) Será que a encarnação do Verbo poderia servir de base para se fazer imagens dos santos e cultuá-los?

O verdadeiro cristianismo é fé exclusiva na obra do Senhor Jesus (Jo 3.16; Rm 5.8; Ef 2.8,9; 1Tm 2.5; Tt 2.11). É adoração única a Deus: “Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás” (Mt 4.11; Lc 4.8).

O principal de todos os mandamentos é: a.) “Ouve, ó Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor! Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a sua alma, de todo o teu entendimento e de todas as tuas forças” (Mc 12.29,30; Mt 22.37); b.) “Mas vem a hora, e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade, pois o Pai procura a tais que assim o adorem. Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade” (Jo 4.23,24).

Quanto à teoria dos três tipos de devoção: dulia, hiperdulia e latria, perguntamos: Qual é a diferença entre dulia e hiperdulia? E qual é a diferença dessas duas em relação à latria?

A verdade é que os três termos se confundem. Dulia e hiperdulia podem estar envolvidos com latria. A distinção entre eles não define coisa alguma. As pessoas que se prostram diante da imagem de Conceição Aparecida, ou de São João, ou de São Sebastião ou de Jesus sabem que estão cultuando em níveis diferentes? Para elas não seria tudo a mesma coisa?

Imaginemos o procedimento de um católico romano bem instruído em um culto. De início, ele pretende cultuar São João. Então, dobra seus joelhos diante da imagem de tal “santo” e pratica a dulia. Depois, resolve cultuar Maria, deixando a dulia para praticar a hiperdulia. E, finalmente, decide prestar culto a Deus, colocando em prática a latria.

Não acreditamos que o povo católico romano saiba diferenciar esses três tipos de adoração. E, mesmo que soubesse, dificilmente conseguiria respeitar os limites de cada uma delas.

“O culto aos santos só começa a partir de cem anos, aproximadamente, depois da morte de Jesus, com uma tímida veneração aos mártires. A primeira oração dirigida expressamente à Mãe de Deus é a invocação sub tuum praesidium, formulada no fim do século 3o ou, mais provavelmente, no início do 4o. ‘Não podemos dizer que a veneração dos santos – e muito menos a veneração da Mãe de Cristo – faça parte do patrimônio original”.

Se o culto aos santos e a Maria fosse correto, João, que escreveu o último evangelho, no ano 100 d.C., aproximadamente, com certeza teria falado a respeito e incentivado tal prática. No entanto, nos adverte: “Filhinhos, guardai-vos dos ídolos” (1Jo 5.21).


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