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Eis que a virgem conceberá (Mt 1.23)


Judaísmo e teólogos modernistas. Dizem que o substantivo hebraico para "virgem", usado nesta passagem (V. tb. Is 7.14), é almah, e que o termo mais apropriado para tal palavra seria b'tulah. Seu objetivo, com isso, é dissociar Mateus 1.23 de Isaías 7.14, a fim de neutralizar a doutrina do nascimento virginal de Jesus.

Resposta apologética: A palavra b'tulah aparece 51 vezes no Antigo Testamento hebraico e é traduzida 44 vezes por parthénos na Septuaginta. A palavra b'tulah, porém, é aplicada à mulher casada (Jl 1.8), o que não ocorre com o substantivo almah, que aponta para a mulher solteira.

Com base em Joel 1.8, W. E. Vine diz que b'thlah, nos textos aramaicos tardios, refere-se à mulher casada. Isso, porém, segundo Vine, causa muita confusão: "Não sabemos de fato o que o termo quer dizer. Faz alusão a uma mulher verdadeiramente virgem, a uma mulher desposada ou a uma mulher que já conheceu marido? À luz destas considerações, parece que a eleição da palavra almah foi deliberada, tornando-se o único termo hebraico disponível para indicar com clareza que a mulher a quem se refere não está casada".

O substantivo almah aparece nove vezes no Antigo Testamento hebraico (Gn 24.43; Êx 2.8; Sl 46, no título, pois al'moth é plural de almah; Sl 68.25; Pv 30.19; Ct 1.3; 6.8; Is 7.14). Em dois lugares, a Septuaginta traduziu almah por parthénos, que significa "virgem" (Gn 24.43; Is 7.14). A própria Rebeca, chamada de virgem (b'tulah), em Gênesis 24.43, em Gênesis 24.16 é chamada de almah, "a quem homem não havia conhecido".

A Septuaginta foi traduzida antes do nascimento de Jesus (285 a.C., segundo Josefo e a carta de Aristéia). Há muitas controvérsias quanto a essa data. Mas, qualquer que seja a data, o certo é que foi antes do nascimento de Cristo. A tradução dos rabinos dava a entender que almah, em Isaías 7.14, tratava-se de uma virgem. Era justamente esse o significado da palavra em estudo naquela época. Assim, é muito suspeito que só depois do surgimento do cristianismo os judeus tenham procurado reavaliar a acepção desse termo.

As versões gregas do Antigo Testamento, que vieram após o cristianismo, substituíram parthénos por neanís, que quer dizer "jovem". Uma das versões é de Áqüila, judeu e discípulo do rabino Akiva (morto em 132 A.D.). A outra, de Teodócio, apóstata do cristianismo que voltou ao judaísmo (final do século 2o A.D.). E a terceira, de Símaco, ebionita (seita judaica que negava a divindade de Cristo), elaborada em 170 A.D.

De uma maneira nada ortodoxa, contrariando a nossa linha conservadora, o dr. Aage Bentzen admite que o termo parthénos veio dos próprios judeus: "Contra a Igreja os judeus sustentavam que Isaías 7.14 não fala de uma virgem (parthénos), mas de uma mulher jovem (neanís)".

Os cristãos reconheciam, acertadamente, que a versão parthénos surgiu com os tradutores judeus. Até hoje, para irem contra ao nascimento virginal de Jesus, os judeus em Israel usam almah para "senhorita". Há quem diga que o contexto do Antigo Testamento não fornece luz suficiente para o real significado de "virgem". Contudo, muitos eruditos afirmam o contrário. Gerard Van Groningen cita cinco autoridades no assunto com respeito à palavra ugarítica galmatu, encontrada nos documentos de Rãs Shamra. Uma dessas autoridades, H. Wolf, em sua obra, Interpreting and Glory of the Messiah, diz: "Nos três lugares em que ocorrem glmt, o equivalente exato de almah é usado em referência a uma jovem procurada para casamento" (p. 450). E apresenta a seguinte conclusão: "Um exame dos materiais disponíveis a estudiosos e peritos, como indicado acima, leva-nos à segura conclusão de que, com base no uso do termo tanto em hebraico quanto em ugarítico, o vocábulo almah deve ser traduzido por 'virgem'".

A Septuaginta apóia plenamente esse pensamento, e o testemunho do Novo Testamento (Mt 1.23) fica com a palavra final. Isaías não só pretendeu como de fato disse "virgem".

Moonismo. Nega o nascimento virginal de Jesus. Segundo afirma, Maria juntou-se com o sacerdote Zacarias e desse relacionamento nasceu Jesus.

Resposta apologética: A Igreja Apostólica nunca teve dúvida sobre a questão de Jesus ter sido concebido por uma virgem. Os primeiros líderes da Igreja cristã, chamados de Pais da Igreja, corroboraram positivamente com os ensinos dos apóstolos. Em 110 A.D., Inácio escreveu: "Pois nosso Deus Jesus Cristo [...] foi concebido no ventre de Maria [...] pelo Espírito Santo. Pois a virgindade de Maria e aquele que dela nasceu [...] são os mistérios mais comentados em todo o mundo". Inácio recebeu a informação de seu mestre, o apóstolo João.

Aristides, em 125 A.D., fala do nascimento virginal de Jesus: "Ele é o próprio Filho do Deus excelso que se manifestou pelo Espírito Santo, desceu dos céus e, nascido de uma virgem hebréia, se encarnou a partir da virgem".

Em 150 A.D., Justino oferece muitas provas a favor da idéia do nascimento milagroso do Senhor: "Nosso Mestre Jesus Cristo, que é o primogênito de Deus Pai, não nasceu como resultado de relações sexuais [...] O poder de Deus, descendo sobre a virgem, cobriu-a com sua sombra e fez que, embora ainda virgem, concebesse..."

O primeiro grande cristão de fala latina, Tertuliano, nos informa que, em seus dias (ano 200 A.D.), existia não apenas um credo cristão estabelecido, sobre o qual todas as igrejas concordavam, mas vários, e cita um deles quatro vezes, o qual inclui as palavras ex virgine Maria, que significa: "da Virgem Maria", dando a entender claramente que Cristo nascera de uma mulher virgem.

Os textos de Mateus 1.18,20,25 e Lucas 1.34,35 corroboram com tudo isso.

Testemunhas de Jeová. Afirmam que Jesus foi criado por Jeová, mas como um dos principais anjos, Miguel. E mais: que fato de Jesus ser chamado de Emanuel significa, simplesmente, que Deus estava presente por meio dele.

Resposta apologética: As Testemunhas de Jeová não consideram o contexto bíblico, pois as Escrituras identificam Jesus como aquele que é o "resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa [...] porque, a qual dos anjos disse jamais: Tu és meu Filho, hoje te gerei?" (Hb 1.3-5).

Partindo da premissa de que as Escrituras são a Palavra de Deus, devemos entender as implicações de suas afirmações. O contexto bíblico nos ensina que Jesus "se fez carne" (V. comentário de Jo 1.14). Tomé reconheceu a realidade da pessoa de Jesus, ou seja, de sua natureza divina, ao declarar: "Senhor meu, e Deus meu!", não sendo repreendido por isso. Pelo contrário, Jesus lhe disse: "Porque me viste, creste; bem-aventurados os que não viram e creram" (Jo 20.28, 29. V. comentário).


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