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E não a conheceu até que...(Mt 1.25)


Catolicismo Romano. Declara que Maria foi sempre virgem e que este texto tem peculiaridade semítica em sua linguagem. Como exemplo, cita Gênesis 8.7, que diz: “O corvo que Noé soltou após o dilúvio não voltou à arca até que as águas secassem”, e argumentam: “Isso significaria que, depois do dilúvio, o corvo voltou à arca?”. Ainda lança mão do Salmo 110.1 para apoiar o seguinte raciocínio: “O Deus Pai convida o Messias para sentar-se ‘à sua direita até que ponha os teus inimigos por escabelo dos teus pés’. Isso significa que, depois de vencidos os inimigos, no fim da história universal, o Messias deixará de se assentar à direita do Pai?”.

Assim, conclui que o versículo em estudo não significa que José, depois do nascimento de Jesus, teve relações conjugais com Maria.

Resposta apologética: Para cada versículo citado em relação a essa possível linguagem semítica temos uma infinidade de contextos que demonstram exatamente o contrário. Veja a preposição “até” em qualquer concordância bíblica e ficará surpreso a respeito de seu significado. Observe alguns exemplos: Levítico 11.24,25: “E por estes sereis imundos: qualquer que tocar os seus cadáveres, imundo será até a tarde”. Será que depois da tarde eles permaneceriam imundo? Apocalipse 20.3: “E lançou-o no abismo, e ali o encerrou, e pôs selo sobre ele, para que não mais engane as nações, até que os mil anos se acabem. E depois importa que seja solto por um pouco tempo”.

Assim, a relação existente antes do nascimento de Jesus se modificou, “não a conheceu até que ela deu à luz”. Essa passagem declara que, depois do nascimento de Jesus, José e Maria tiveram uma vida conjugal normal, como qualquer outro casal. E, como já vimos acima, há exemplos sem limites do uso da palavra com essa idéia. Além disso, os evangelhos nos mostram que Maria teve outros filhos (Mt 12.46,47; 13.55; Mc 6.3). Não podemos deixar de considerar que nenhum autor do Novo Testamento ensina a doutrina da “virgindade perpétua de Maria”. Este ensinamento só veio a ser oficializado, pela Igreja Romana, pelo papa Pio IX, em 1874.

Se fosse uma doutrina, um ensinamento vital ou essencial, como requer o catolicismo romano, certamente Paulo e os demais discípulos teriam mencionado a respeito. Dessa forma, resta a essa igreja apegar-se à tradição, porque a Bíblia não aceita tal teoria (Cl 2.8. V. tb. comentário de Mt 12.46,47).


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