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A água extingue o fogo e a esmola apaga os pecados (Eclesiástico 3.33)


Catolicismo romano. O livro apócrifo ensina a remissão de pecados pela prática da esmola.

RESPOSTA APOLOGÉTICA. A prática de dar esmolas permeia toda a Bíblia. Os profetas do Antigo Testamento entendiam que receber esmolas era um direito daqueles que eram verdadeiramente necessitados. Em cada cidade havia coletores que distribuíam esmolas de duas espécies: a.) dinheiro coletado na caixa do tesouro da sinagoga em cada sábado, para os pobres da cidade; e b.) o alimento e dinheiro recebidos numa bandeja. No Novo Testamento, Jesus não rejeita dar esmolas como prática na busca por uma posição correta diante de Deus, mas salienta a necessidade do motivo autêntico: "Guardai-vos de fazer a vossa esmola diante dos homens, para serdes vistos por eles; aliás, não tereis galardão junto de vosso Pai, que está nos céus. Quando, pois, deres esmola, não faças tocar trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão. Mas, quando tu deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita; para que a tua esmola seja dada em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, ele mesmo te recompensará publicamente." (Mt 6.1-4). Contudo, a despeito da aprovação explícita do ato de esmolar na Bíblia, não há qualquer referência de que isso apague os pecados, como afirma este livro apócrifo. Os adeptos do catolicismo precisam aceitar que mesmo uma pessoa verdadeiramente bondosa não pode satisfazer a justiça divina. Sobre nossa justificação, o apóstolo Paulo é contundente: "Pois quê? Somos nós mais excelentes? De maneira nenhuma, pois já dantes demonstramos que, tanto judeus como gregos, todos estão debaixo do pecado; como está escrito: Não há um justo, nem um sequer." (Rm 3.9,10). Nenhuma quantidade de esmolas poderia mudar nossa situação. Se ofertas caridosas pudessem expiar os nossos pecados, não teríamos necessidade do sangue de Jesus Cristo. Sobre isto, o apóstolo Pedro acrescenta: "Sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver que por tradição recebestes dos vossos pais, mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado" (1Pe 1.18,19). Por fim, não podemos jamais perder de vista o texto áureo do combate ao ensino da salvação pelas obras: "Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie" (Ef 2.8,9). Diante disso tudo, resta-nos reconhecer o ato de esmolar como uma expressão nossa de compaixão pelo próximo aprazível a Deus (Is 58.6-8; 1Jo 3.17), porém jamais como obra salvífica, para o que é totalmente ineficaz.


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