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Aquilo que, saindo da porta de minha casa, me sair ao encontro [...] o oferecerei em holocausto [...] cumpriu nela o seu voto (Juízes 11.30-40)


Ceticismo. Confronta esta passagem com Levítico 18.21 e Deuteronômio 18.10 para afirmar que a Bíblia, ao mesmo tempo, apresenta textos em que Deus requer sacrifícios humanos e textos em que Deus os proíbe, e isso, na concepção dos céticos, é contradição.

Resposta apologética: Antes de tudo, devemos observar se Jefté ofereceu realmente sua filha em holocausto. Há duas correntes de pensamento a respeito deste assunto. A primeira delas diz que houve o sacrifício da vida da jovem, mas o voto que gerou este fato foi impensado e Deus, apesar de ter-lhe concedido vitória, não aceitou o sacrifício (que se assemelhava ao usado no culto pagão) e muito menos aprovou o temerário voto de Jefté. Logo, se as coisas aconteceram dessa maneira, a punição prevista em Levítico 18.21 e 20.2 não poderia ser aplicada a Jefté, visto que Jefté não ofertou ao deus Moloque, mas ao Deus de Israel. Isso, no entanto, não avaliza a tese da aceitação divina do voto, serve apenas para demonstrar que o ato de Jefté não deve ser comparado ao dos pagãos de sua época.

A segunda corrente defende que esse sacrifício deve ser compreendido à luz do conceito posteriormente desenvolvido pelo apóstolo Paulo — de que todos devemos nos oferecer a Deus como sacrifício vivo (Rm 12.1). Vendo a passagem por este ângulo, é possível entender que Jefté, aconselhado pelos sacerdotes, tenha oferecido sua filha ao Senhor para servi-lo em sua casa pelo resto da vida, permanecendo virgem (v.38,39). Todavia, esse ato seria um sacrifício tão grande quanto matá-la, quando levamos em consideração o contexto judaico daqueles dias, em que as várias linhagens e suas respectivas famílias constituíam o centro da vida social. Assim, Jefté, ao destinar sua única filha ao serviço do Senhor, com o voto de castidade perpétua, estaria fadado a admitir o fim de sua própria linhagem.

Ainda pelos textos de Levítico e Deuteronômio (sobre a lei mosaica) entende-se que, realmente, Jefté jamais teria oferecido a própria filha em holocausto, tendo em vista os seguintes pontos: a proibição divina da prática e, conseqüentemente, a rejeição de Deus a esse tipo de sacrifício, numa consideração ao contexto geral das Escrituras.

Por fim, além destas considerações, devemos admitir que, em nenhum momento, encontramos Deus requerendo tal sacrifício de Jefté. O que não justifica questionarmos a justiça divina.


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