Ilustração



“Calando-me, ouvi uma voz” (Jó 4.16)


Faz tempo, um amigo me deu um livro para ler, intitulado Paz verdadeira. Era uma mensagem antiga, dos tempos medievais, e continha apenas um pensamento, que dizia: “Deus estava aguardando, no íntimo do meu ser, para poder falar comigo. Bastava apenas eu ficar quieto para ouvir a sua voz”.

Achei que isso seria muito fácil e, então, comecei a ficar quieto. Todavia, mal eu havia começado e uma multidão de vozes atingiram meus ouvidos, mil e um sons de fora e de dentro, exigindo a minha atenção até que eu nada podia ouvir, senão a sua bulha e ruído. Alguns eram a minha própria voz, minhas perguntas, minhas próprias orações. Outros, sugestões do tentador e vozes vindas do tumulto do mundo.

De todos e para todos os lados, eu era empurrado e puxado e saudado com ruidosas aclamações e um indescritível desassossego. Parecia-me que era necessário atender a algumas delas e responder a outras; mas Deus me disse: "Aquietai-vos, e sabei que eu sou Deus”. Então, surgiu o conflito de pensamentos pelo dia de amanhã com seus deveres e cuidados. Mas, o Senhor Deus, mais uma vez disse: "Aquietai-vos".

E, enquanto eu ouvia, e ia aprendendo devagar a obedecer e a fechar os ouvidos a todos os sons estranhos, percebi, depois de algum tempo, que quando as outras vozes cessaram — ou eu deixei de ouvi-las — uma voz mansa e suave começou a falar bem dentro do meu ser, com ternura e poder, trazendo-me grande conforto.

Ao ouvi-la, ela se tornou para mim uma voz de oração, de sabedoria e dever. Não precisei mais esforçar-me tanto para pensar, ou para orar, ou para confiar; aquela voz mansa em meu coração era a intercessão do Espírito Santo, a resposta de Deus para todas as minhas perguntas; era a vida e a força de Deus para minha alma e corpo. Ela tornou-se a verdadeira essência do conhecimento, a minha oração e a minha bênção: o próprio Deus vivo como minha vida e meu tudo.

É assim que o nosso espírito bebe a vida de nosso Senhor ressurrecto, e seguimos para os conflitos e deveres da vida como uma flor que bebeu, na sombra da noite, as gotas frescas e transparentes de orvalho. Mas, assim como o orvalho não cai em noites de tempestade, os orvalhos da graça divina não caem sobre a alma que não para quieta.


A. B. Simpson


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