Ilustração



O pote rachado


Conta-se a história de um trabalhador pobre que ganhava a vida transportando água para os seus vizinhos. Para isso, ele usava dois potes, que pendurava nas pontas de uma vara. Um dos potes, contudo, tinha uma pequena rachadura, de maneira que, quando o carregador chegava ao lugar onde devia entregar a água, grande parte dela havia-se perdido pelo caminho.

Isso durou muito tempo, até que, um dia, o pote rachado ficou tão envergonhado por perder tanta água que falou ao seu dono: “Sinto-me tão incompetente e tão incapaz por perder tanta água. Estou frustrado e humilhado por não ser como o outro pote e prestar a você um serviço completo. Sempre que você chega ao destino só consigo fornecer metade da água que tinha ao começar a viagem. Sinto-me tão inútil!”.

Ao ouvir essas palavras, o carregador de água disse ao pote rachado: “Infelizmente, você tem estado tão preocupado em reter a água, lutando contra o problema da rachadura, que não tem reparado numa coisa maravilhosa que aconteceu durante todo esse tempo. Mas, venha, que eu lhe mostrarei”.

O carregador de água foi com o pote até a fonte onde apanhava água diariamente e começou a percorrer lentamente o caminho que fazia todos os dias, mostrando-lhe as belíssimas flores que ficavam à margem do caminho. Finalmente, disse-lhe: “Está vendo estas flores? Elas são regadas várias vezes ao dia pela água que vasa da sua rachadura. Por isso, estão tão bonitas! Se não fosse essa rachadura, não haveria flores à beira da estrada, para alegrar a vida dos que passam por aqui”.

Às vezes, gastamos toda a nossa energia em verificar as nossas deficiências e tentar superá-las. Por fim, sentimo-nos frustrados e inúteis ao nos compararmos com outras pessoas que parecem ser muito mais bem sucedidas. E ficamos tão ocupados com tais esforços e pensamentos que nos esquecemos de reparar aquilo que está acontecendo em torno de nós: o fruto, às vezes inesperado, do nosso trabalho “limitado”; a alegria de Deus e dos nossos semelhantes pelo nosso esforço. Se você acha que é um pote rachado, repare nas margens do caminho!

“Não há boa árvore que dê mau fruto, nem má árvore que dê fruto bom. Cada árvore é conhecida pelo seu próprio fruto. Não se colhem figos dos espinheiros, nem se vindimam uvas dos abrolhos. O homem bom do bom tesouro do seu coração tira o bem, e o homem mau, do mau tesouro do seu coração tira o mal. Pois da abundância do coração fala a boca” (Lc 6.43-45).


Por Sylvio Macri


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