Ilustração



Vinho novo em odres novos


O então padre Aníbal Pereira Reis, no interior do Estado de São Paulo, vivia sobressaltado, em profundo estado de angústia, na incerteza de sua salvação. Ele teve um encontro maravilhoso com Jesus mediante a leitura da Bíblia e, como homem honesto que é, procurou não trazer problemas aos seus superiores hierárquicos. Afastou-se do catolicismo romano confessando o motivo e se batizou segundo a fé evangélica.

Contudo, depois de convertido, ainda permaneceu alguns anos como padre, pois, segundo suas próprias palavras, queria harmonizar sua nova vida em Cristo com a permanência na Igreja Romana.

No período que antecedeu o seu afastamento definitivo, muitas coisas interessantes aconteceram. Uma moça crente casou-se com um rapaz incrédulo. De nada lhe valeram os conselhos dos pais, dos irmãos, dos amigos: queria casar-se com o rapaz e estava encerrado o assunto.

Os primeiros meses de casados transcorreram sem muita preocupação. Mas a chama de sua fé começou a ser apagar e aquela jovem abandonou a igreja. A seguir, o casamento se desmoronou. Pequenas brigas e, finalmente, ela, não suportando os sofrimentos, apelou para o suicídio.

Antes de morrer, em agonia no hospital, recebeu a visita do “padre-crente”. A moça, ainda lúcida, disse-lhe:

— Seu vigário, não se zangue comigo, mas, antes de morrer, queria falar com um pastor.

— Minha filha — disse o padre — pode falar comigo, porque eu também sou crente e deixarei a batina definitivamente. Eu aceitei Jesus como meu salvador.

“Ninguém deita remendo de pano novo em vestido velho, porque semelhante remendo rompe o vestido, e faz-se maior a rotura. Nem se deita vinho novo em odres velhos; aliás, rompem-se os odres, e entorna-se o vinho, e os odres estragam-se; mas deita-se vinho novo em odres novos, e assim ambos se conservam” (Mt 9.16,17).


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