Ilustração



A boca e o coração


Conta-se que há muitos séculos, numa época em que os homens eram guiados por magos, adivinho e astrólogos, um poderoso rei sonhou que havia perdido todos os seus dentes, um após o outro. Despertou desesperado e mandou chamar todos os sábios e adivinhos para que interpretassem o seu pesadelo.

Um a um eram chamados à presença do rei, que lhes contava o sonho.

— Que desgraça, meu rei! Cada dente caído representa a perda de um parente de vossa majestade! — exclamavam todos os adivinhos, pois chegavam sempre à mesma conclusão sobre o que significava aquele sonho.

O rei, enfurecido, mandou matar todos aqueles “sábios” que agouravam o seu reino. Até que não sobrou nem um sequer. Então, chamou os seus servos e ordenou que encontrassem outro adivinho em qualquer lugar da terra que pudesse interpretar-lhe o sonho.

Passados alguns dias, encontraram um simples peregrino, que em terras distantes era visto como um homem de grande sabedoria, e levaram-no à presença do rei.

Este, após ouvir o rei contar-lhe o sonho, disse-lhe calmamente:

— Ó poderoso senhor! Viva para sempre, pois teus dias serão tão longos que nenhum dos teus parentes te verá morrer. É este, ó rei, o significado do seu sonho.

A fisionomia do rei iluminou-se num sorriso, e ele mandou dar metade do seu tesouro ao sábio peregrino. Quando o sábio saía do palácio, carregando sua recompensa, um dos copeiros, admirado, lhe disse ao ouvido:

— Não é possível! A interpretação que você deu ao rei foi a mesma que os seus antecessores deram. Não entendo porque aos primeiros ele mandou matar, e a você pagou com todas estas moedas de ouro.

— Lembre-se, meu amigo — respondeu o sábio peregrino — tudo depende da maneira que você fala! Você não precisa ofender ninguém.

A verdade deve ser dita em qualquer situação, não resta dúvida. Mas é a forma com que é comunicada que tem provocado os grandes conflitos de relacionamentos.

A verdade pode ser comparada a uma pedra preciosa que você retira do seu tesouro: “O homem bom tira boas coisas do bom tesouro do seu coração, e o homem mau do mau tesouro tira coisas más” (Mt 12.35). Você pode lançá-la contra uma pessoa, ferindo-a. Ou pode lapidá-la delicadamente e oferecê-la num anel. Certamente assim será aceita com mais facilidade e a pessoa, inclusive, agradecer-lhe a ajuda.

“Porque por tuas palavras serás justificado, e por tuas palavras serás condenado” (Mt 12.37).


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