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    Iraque - Da antiga Babilônia ao caos

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A ilusão fatal dos xiitas, dos sunitas e do pós-guerra transformou o Iraque em uma terra onde os efeitos do ódio e da gratidão se misturam com uma liberdade selvagem. Mas, diante de tudo isso, uma coisa é certa: os iraquianos precisam do amor do Deus da verdade.

Em um país sem serviços públicos, alfândega, guardas municipais, lei ou organização, disseminam-se a anarquia e os saques. O Iraque é hoje considerado o "Paraguai do Oriente". A pirataria de antenas parabólicas e de outras coisas pode ser vista em todos os lugares.

Um detalhe triste. Por ser atualmente o país mais livre do mundo, o Iraque se tornou uma 'terra de ninguém", sem lei e sem ordem, e também um lugar extremamente perigoso e caótico. As únicas forças de autoridade que existem por lá são compostas pelas tropas dos EUA e da Inglaterra.

O alvedrio, que chegou por intermédio da guerra, trouxe um aspecto de liberdade selvagem à população que, como nunca antes, pode expressar-se da maneira que lhe convém. Hoje, por exemplo, existem mais de cinqüenta jornais diários na capital iraquiana, Bagdá. Mas tanta liberdade de expressão tornou-se brutal, pois milhares de pessoas estão vivendo muito abaixo da linha da pobreza.

Calcula-se que passe pelas fronteiras do país mais de três mil veículos trazendo todo o tipo de mercadoria, menos armas, que são controladas pelos funcionários americanos. O Iraque vive um consumismo como nunca se tinha visto antes. Existe de tudo nas ruas, desde produtos industrializados aos mais diversos artigos, roupas e alimentos, produzidos pelo Ocidente. O país vive a febre da Internet e dos vídeos, febre esta que "ataca" principalmente os mais jovens. A Internet, por sua vez, tornou-se uma coqueluche nacional. Antes da ocupação americana, o acesso à Internet era um delito severamente punido pelo antigo ditador.

O escambo, isto é, a troca, tornou-se a moeda nacional. Isto porque, como não há bancos, cheques e muito menos cartão de crédito, a permuta virou uma regra de sobrevivência. A moeda iraquiana, o dinar, é totalmente desvalorizada. É comum ver os iraquianos com malas cheias de dinheiro para comprar coisas sem muito valor. São 1500 "dinares" para um dólar. Isto explica porque o dinheiro iraquiano praticamente não vale nada.

Desde que Saddam Hussein foi deposto, dois tipos de sentimentos pairam no ar: o ódio e a gratidão. Muitos criticam a situação catastrófica vivida pela massa, pois, antes, eles odiavam Saddam e seu partido, o Baath. Hoje, odeiam também os americanos, uma vez que seus mísseis, de precisão cirúrgica, destruíram todas as fabricas e indústria do país, deixando milhares de desempregados. Sem emprego e ocupação, a mente dos iraquianos fervilha revoltas contra a ocupação anglo-saxônia. Outro aspecto corriqueiro no cotidiano do Iraque atual é o estresse dos soldados americanos. Um soldado de origem mexicana, que não quis se identificar, confessou seu mais profundo sentimento ao escritor e jornalista Mario Vargas Llosa. Do alto do tanque de guerra, ele desabafou: "Não agüento mais! Estou há três meses aqui e já não suporto mais! A cada dia me pergunto o que estou fazendo aqui! Hoje, de manhã, mataram dois companheiros meus! Não vejo a hora de voltar para casa e encontrar minha esposa e meu filho. Maldição".

Para algumas pessoas, a situação melhorou após a ocupação. É o caso dos professores. A guerra contra o Irã, na década de 80, e a guerra do golfo, junto com o embargo imposto pela ONU, desvalorizaram brutalmente os salários dessa classe profissional que, antes da queda de Saddam, recebia de sete dólares por mês. Hoje, seus salários foram reajustados para 250 dólares. Uma professora que ganhou esse aumento de salário disse, sorrindo, a um jornalista da CNN, como pretendia gastar seu primeiro novíssimo aumento: "Vou comprar uma antena parabólica para conhecer o mundo".


O dia-a-dia iraquiano


A vida diária dos bagdalis e de outros iraquianos se tornou dramática em todos os âmbitos imagináveis. Falta de tudo: água potável, saneamento básico, energia elétrica... São raros os dias em que não há blecaute. O calor é insuportável. A temperatura é de 40 graus à sombra. Às vezes, chega aos 50.

Os saqueadores, chamados de "Ali babás" são um risco tremendo à população. Para se ter uma idéia, em outubro de 2002, Saddam soltou entre trinta e cem mil criminosos em comemoração à sua reeleição, com 100% dos votos. Como não existem juízes nem delegacias para manter a ordem, os saques tornam as cidades em um pandemônio. As famílias que possuem algum capital geralmente ficam trancafiadas em casa, com medos dos delinqüentes que transitam livremente com seus carros por todos os lugares.

A alimentação dos iraquianos mudou drasticamente depois da guerra. Antes, possuíam seus pratos típicos à base de farinha, trigo e arroz. Hoje, comem feijão branco ou o que a coalizão fornece. Nos restaurantes, que ainda permanecem abertos, há frango frito de segunda a segunda. Há cinqüenta anos, a sociedade iraquiana detinha uma cultura expressiva no Oriente: tinham hospitais modernos e uma sociedade altamente intelectualizada. Mas, com a tomada do poder do partido Barth, de Saddam Hussein, centenas de médicos e engenheiros emigram para outras partes do mundo.

As crianças iraquianas, em sua maioria, são subnutridas. As mães, por sua vez, não têm uma boa alimentação na gravidez. Por esse motivo, nascem, no Iraque, milhares de bebês defeituosos. O caos causado por mais de trinta anos pelo tirano Saddam, pela guerra contra o Irã (no golfo, em 1990) e pela ocupação anglo-americana, tornou muito difícil adjetivar como estão vivendo os iraquianos, pois, em algum lugar, uma criança pode estar morrendo de fome, ou ferida pela guerra.


Kerbala e Najaf


Alguns dias antes de acontecer o atentado que matou o Aiatolá Mohammed Bakr Al Hakin, 63 anos, dos quais 23 passou exilado no Irã, ele era o mais importante líder xiita. Ao conceder entrevista ao escritor Llosa, nas cidades de Najaf e Kerbala, sagrada para os xiitas (pois lá está enterrado Emir Ali, genro de Maomé), Mohammed disse que "a guerra ainda não acabou. O descontentamento irá aumentar a cada dia".

kerbala é uma espécie de centro religioso do Iraque. O comércio por lá é feito nas ruas paupérrimas. Sem dúvida, é o melhor lugar para examinar a vida religiosa desse povo tão sofrido. As massas vêm de todos os lugares do país. As mulheres trajam roupas escuras dos pés a cabeça, e muitas ainda usam luvas e meias de lã pretas, o que deve ser insuportável em uma temperatura que chega a 45 graus. Na mesquita de Emir Ali, homens e mulheres se esbarram uns nos outros, clamando e gritando o nome de Alá. Muitos beijam as paredes da mesquita. Ao redor da cripta do genro de Maomé, que para os xiitas é seu grande mestre, só pode adentrar os homens, as mulheres ficam atrás.

Em Kerbala e Najaf, a fé mostra o seu lado mais perigoso: a alienação. Mas, ao mesmo tempo, essa fé se mostra frágil e desprotegida. O que se vê por lá são milhares de pessoas miseráveis que têm na religião o seu principal motivo para viver. Sem dúvida, essas duas cidades não vivem uma época globalizada. Antes, estão vivendo a mais cruel das épocas: a medieval.


O paradoxo cultural


Se viver nas cidades de Kerbala e Najaf é voltar ao Iraque medieval, freqüentar a universidade de Bagdá (com cerca cinco mil estudantes) é respirar ares ocidentais. As moças e os rapazes andam livremente pelos corredores da instituição, que foi destruída pelos bombardeios americanos e, depois, saqueada. Na faculdade, as moças não usam véu para cobrir o rosto e muito menos cobrem os braços. Usam somente o véu islâmico no cabelo.

O professor e reitor, especialista em língua russa, doutor Dia Nafi Nassan, disse ao jornalista Llosa que: "Após a queda da ditadura, em 9 de abril, tudo foi saqueado e queimado. Roubaram quase todos os livros, escrivaninhas e arquivos. Os pisos dos corredores e os computadores. O que não foi roubado foi consumido pelas chamas".

Apesar de quase tudo destruído, um clima de otimismo paira pela universidade, pois, pela primeira vez, houver uma eleição para eleger o novo reitor. O professor Nassan demonstrou que o sentimento de um estado democrático já existe na sociedade intelectualizada do Iraque. Ele espera que, em breve, o Iraque seja um estado democrático, nos moldes da França, Espanha e Inglaterra, onde existe liberdade de pensamento político e religioso.

Nassan garante que se fosse proposto uma eleição livre e democrática no Iraque os fundamentalistas jamais ganhariam. "Aqui, os fanáticos religiosos nunca ganhariam uma eleição livre", garante ele. E conclui: "Aqui, a grande maioria dos mulçumanos é formada de pessoas civilizadas, abertas ao espírito democrático. O que acontece é que o ódio pelos americanos vêm crescendo. É preciso dar liberdade para se estabelecer um novo Estado iraquiano, com iraquianos, não com americanos".


Xiitas, sunitas e curdos


As duas facções do islamismo formam a maioria da sociedade iraquiana. Mas onde está o aspecto mais frágil dessa revalidada? O antigo ditador era sunita, mas tinha uma ideologia obscura que massacrava todos os que se opunham ao seu regime. Saddam e o partido Baath quebraram todos os recordes, até mesmo os de Hitler. Hoje, muitas instituições descobriram as covas com o número de cadáveres girando em torno de quatro a cinco mil. Essas covas são os locais em que o tirano enterrou milhares de inimigos. Há relatos que assombram o sentimento humano: às vezes, os soldados do antigo regime enterravam seus opositores ainda vivos. Os 35 anos de tirania imposta jamais serão esquecidos pelos iraquianos.

O ódio entre esses dois grupos ainda existe. E quem o fomentou foi o império de Saddam. As diferenças entre eles é que enquanto os sunitas são praticantes dos ensinos de Maomé, alguns xiitas acrescentam a esses ensinos as doutrinas do genro do profeta. Em um país onde as tensões explodem por todos os lados, qualquer motivo é visto como atentado religioso. Existem sunitas e xiitas fundamentalistas, e também sunitas e xiitas moderados. "A problemática vivida se tornou um caos porque os americanos consentem com isso", disse o aiatolá Al Hakim, morto há um mês.

O Curdistão iraquiano fica a quatro horas de viagem de carro ao norte de Bagdá. Lá, a paisagem muda totalmente, pois nem parece que Saddam, durante anos, martirizou esse humilde povo. Na cidade de Suleymaniya, a visão que se tem do Iraque é oposta à visão descrita até então. Existem guardas de trânsito; as ruas são limpas; há McDonald´s; e os telhados das casas estão cheios de antenas parabólicas. Há uma enorme quantidade de placas com a frase: "Obrigado, Bush, por ter libertado o Iraque".

Suleymaniya pertence à União Patriótica do Curdistão, de Jalal Talabani. Mais ao norte, encontra-se a capital Arbil, de domínio do Partido Democrático do Curdistão, de Massud Barzani. A feroz rivalidade entre os dois partidos, com sua violência fratricida (nos combates de 1994 houve mais de três mil vítimas) aumentou o infortúnio dos curdos, 20% da população iraquiana (pouco menos de quatro milhões).

Os curdos foram vítimas sistemáticas da ditadura de Saddam Hussein, que se enfureceu contra eles, sobretudo durante suas rebeliões em 1975, 1988 e 1991, quando pediram autonomia e resistiram à "arabização" forçada de suas aldeias (Durante a "arabização", o regime de Saddam expulsou e/ou o massacrou os nativos e os substituiu por árabes sunitas).

Em 1988, milhares de curdos foram atacados com gases tóxicos em operações de extermínio que faziam desaparecer populações inteiras - inclusive crianças, mulheres e anciãos. No mês de março daquele fatídico ano, mais de quatro mil membros da etnia foram liquidados com armas químicas.


O que fazer pelo Iraque


Todos os dias, as pessoas se perguntam: "O que acontecerá com o Iraque, que já se tornou um 'caldeirão' de tensões étnicas, política e religiosa?". Nem mesmo Sérgio Vieira de Mello detendo um enorme currículo de reconstrução de Kosovo e Timor Lest conseguiu realizar seu trabalho. Antes, se tornou mártir de uma guerra que mistura interesse capitalista com interesse religioso. Os últimos atentados à ONU e ao aiatolá Al Hakim mostram, escandalosamente, que o Iraque não possui nenhum controle.

É lamentável ver a guerra e suas mazelas. Em algum lugar do Iraque, agora mesmo, uma criança pode estar morrendo, ou por fome ou ferida pela guerra. De acordo com as agências missionárias, o Iraque é ocupar o 38o lugar entre os países em que os missionários são perseguidos. A minoria cristã tem desenvolvido seu trabalho, mas ainda de modo insuficiente. Antes, o ditador impunha se queria ou não ver a presença de missionários no país. Hoje, como não existe ordem por lá, os missionários correm grandes riscos no desenvolvimento de suas tarefas.

A provisão agora é uma só: orar por esse povo que, durante anos, vem sendo maltratado. Só existe uma solução unânime: os iraquianos precisam conhecer o amor de Deus por intermédio de Jesus Cristo. O envio de missionários é estritamente importante para arrancar o país da "ilusão fatal" em que vive. Tal ilusão foi imposta pelo islamismo, que fez do Iraque o lugar mais sombrio do mundo.

Oremos pelos iraquianos, pois eles estão necessitando de ajuda, principalmente da ajuda espiritual.


Religião do Iraque


Mulçumana 96,85%

Cristã 1,55%

Outras 1,10%

Fonte: Intercessão mundial, edição 2003


Motivos de oração


1. Pelos estrangeiros que tentam reorganizar o país e, principalmente, pelos iraquianos, que estão sem destino definidido.

2. Pela ONU e seus funcionários.

3. Pelas diversas organizações e agências missionárias.


Por Fernando Augusto Bento


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