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    África do Sul - Um país de várias línguas e de diversidade cultural e étnica

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Andando pelas ruas sul-africanas, algo curioso nos chama a atenção: a mistura de raças desse povo. É comum encontrarmos pessoas loiras, altas e de olhos azuis, descendentes de europeus - em especial, holandeses -, responsáveis pela colonização do país. Encontramos também descendentes de ingleses, que chegaram após a Revolução Francesa, e de indonésios (trazidos como escravos). Sem falar das tribos nativas, que receberam todos esses imigrantes.

Essa convivência atual entre diferentes etnias representa o fim de conflitos mais antigos do que o apartheid. Holandeses, franceses, ingleses, khoinas, zulus, xhosas e outras tribos combatem entre si, desde o século XVII, por territórios e riquezas.

Após vivenciar crises e conflitos políticos, a população se vê responsável por construir uma nova realidade social, diferente da que se mantém estabelecida durante todos esses anos. Apesar dos recursos naturais e da tecnologia, as dificuldades não faltam. O desemprego cria filas, a distância entre os ricos e os pobres aumenta e os negros não possuem educação nem renda adequadas.


Segregação racial


A partir de 1911, a região da África do Sul foi dominada por uma minoria branca - ingleses, holandeses e africânderes - que promulgou uma série de leis consolidando seu poder sobre a população majoritariamente negra.

A política de segregação racial do apartheid (separação, em africâner) é oficializada em 1948, com a chegada ao poder do Partido Nacional (NP), que domina a política por mais de quarenta anos. O apartheid impede o acesso dos negros à propriedade da terra e à participação política e os obriga a viver em zonas residenciais separadas das dos brancos. Casamentos e relações sexuais entre pessoas de raças diferentes tornam-se ilegais.

Passados aproximadamente vinte anos, a mobilização da população negra cresceu, gerando diversas manifestações radicais, como as sabotagens das guerrilhas e a intensa repressão vinda do governo.


Nelson Mandela

Para lutar contra essas injustiças, os negros acionaram o Congresso Nacional Africano (CNA), organização negra clandestina que tinha como líder Nelson Mandela. Após o massacre de Sharpeville-1960 (quando 67 negros foram mortos pela polícia por participarem de uma manifestação), o CNA optou pela luta armada contra o governo branco, o que fez que o líder fosse preso, em 1962, e condenado à prisão perpétua.

A partir de 1975, começaram os avanços para acabar com o apartheid. A comunidade internacional e a ONU pressionavam pelo fim da segregação racial. Em 1991, o então presidente Frederick de Klerk não teve outra saída: condenou oficialmente o regime, libertando seus líderes, inclusive Mandela.

Outras conquistas foram obtidas: o Congresso Nacional Africano foi legalizado, De Klerk e Mandela receberam o Prêmio Nobel da Paz (1993). Criou-se a nova Constituição. Os negros adquiriram direito ao voto e, em 1994, foram realizadas as primeiras eleições multirraciais na África do Sul, que elegeram Nelson Mandela.


Triste lembrança...

O apartheid se foi, mas o país ainda está cheio das marcas dos brancos. Na nova África do Sul, há um movimento para mudar o mapa, adotando ou recuperando nomes que representem a herança e a história nativa.

O conselho, criado pelo Parlamento para avaliar o assunto, elaborou uma proposta permitindo a essas áreas a mudança de seus nomes, recuperando as origens africanas. Pretória pode ser renomeada como Tshwane e a metropolitana Johannesburgo poderá tornar-se conhecida como Egoli, a palavra Zulu para cidade do ouro.

A idéia irrita alguns, que consideram a proposta um desperdício de tempo e dinheiro, e enfurece a muitos brancos conservadores e adeptos da velha ordem. Outros são da opinião de que novos nomes devem ser colocados apenas em novos lugares.

Um dos membros do conselho, responsável pelo projeto, declarou que as cidades não devem se apressar e deveriam procurar os nomes mais significativos. Atingir esse objetivo vai ser um desafio para um país com onze idiomas oficiais e uma história cheia de dolorosos conflitos. Até aqui, de qualquer forma, não há qualquer sinal de discórdia entre as tribos nacionais na escolha dos nomes.


A diversidade cultural e étnica


A maioria africana é composta de muitos grupos étnicos diferentes, o maior deles é o Zulu, além dos Xhosa, Tswana, Ndebele e os Bapedi.

A quantidade de tribos existentes no país é muito extensa, por isso selecionamos algumas das mais expressivas, a fim de montar este cenário da etnia sul-africana, que se caracteriza por possuir uma cultura riquíssima:


Os Xhosas

Uma interessante curiosidade é que Mandela, o presidente da África do Sul, vem dessa tribo. Vivem em pé de guerra com os Zulus. Uma característica marcante desse povo é que eles pintam a cara todinha de branco. Às vezes, a pintura é bem sutil, noutras, nem um pouco, pois parece que eles passam um barro branco no rosto e fica aquele emplasto!


Os Ndebele

Não é difícil adivinhar quem é o povo Ndebele. A característica principal dessa tribo está na sua forma única de arte. São chamados de "o povo artista" e o talento deles é instintivo. Expressam a si mesmos e também suas moradias, mediante as cores e os desenhos.

Além das casas com essa característica única, outra coisa que essa tribo tem de especial é a arte na fabricação de colares e ornamentos de miçangas. As mulheres lembram as "mulheres girafa" da Tailândia, pois usam colares em forma de aro no pescoço, bem como nas pernas e braços, e andam com cobertores coloridíssimos amarrados nas costas.

Os homens são circuncidados e acreditam que, antes da circuncisão, o garoto não está unido à sua alma. Conseqüentemente, ele ainda não é realmente humano.


Os Zulus

Embora parecidos em língua e cultura, os grupos raciais Zulus, Xhosas e Ndebele têm sido responsáveis por alguns dos conflitos mais longos da África do Sul.

No século XIX, ficaram notórias as guerras de fronteira entre os Zulus e os Xhosas, entre os Xhosas e suas subtribos (Mfengu), e as tentativas dos Zulus de massacrar os renegados Ndebele.

Hoje, as guerras nas townships (cidades-satélites onde os negros eram confinados) do ANC - Congresso Nacional Africano (dos Xhosa,, Mandela) contra os Inkatha (dos Zulus) ainda ocorrem.

A nação Zulu é a maior tribo do país e, para esse povo, os trabalhos feitos com miçanga "falam". Cada cor tem um significado. Na linguagem das miçangas, o branco representa o amor, o vermelho a inspiração e o amarelo, a saudade. Além disso, os Zulus são mestres na arte de escrever pequenas mensagens com miçangas.


Aldeia Khaya Lendaba

Um dos atrativos sul-africanos são as vilas multiculturais, criadas com fins turísticos. Esse mosaico pode ser visto na aldeia Khaya Lendaba.

Danças sul-africanas abrem o espetáculo. O turista consegue perceber que existem sons e ritmos variados, e a apresentação de cada uma das etnias é rápida demais e chega a deixá-lo um pouco confuso - é como mostrar samba, frevo e axé em poucos segundos aos estrangeiros no Brasil.

Os tradicionais contadores de histórias também estão na aldeia, em diferentes cabanas, cada qual mostrando os costumes de uma etnia. Os grupos também encenam as histórias dos guerreiros zulus. O mais divertido é reparar nos diferentes trajes das etnias e observar as atitudes do carrancudo guerreiro zulu ao conversar com os nativos.


Desafios missionários


O trabalho missionário chegou ao país por volta do final do século XVIII. A maioria das denominações européias e norte-americanas participa desse processo. Com o tempo, as igrejas foram amadurecendo e, assim, começaram a desenvolver o seu próprio trabalho, treinando seus obreiros e, principalmente, seus jovens.

Atualmente, existe intensa liberdade religiosa, resultado de uma busca constante da administração atual pela liberdade e direitos da população.

Essa liberdade dá maior notoriedade às tradicionais religiões africanas: islamismo, hinduísmo, humanismo, entre outras. No entanto, a abertura também contribui para a entrada de missionários cristãos. Com isso, muitas almas, a cada dia, se convertem ao evangelho de Jesus Cristo.

Um dos resultados da oração é o grande crescimento da visão mundial e da multiplicação do envolvimento missionário na África do Sul por todas as comunidades depois do fim do isolamento diplomático do país, em 1993. Têm sido desenvolvidas estratégias inovadoras para o envio e sustento de novos missionários.

Uma das estratégias é levar o evangelho às comunidades pobres que necessitam também de saúde e de assistência social. As igrejas se mobilizam, ajudam e oram junto aos pobres e aos doentes, o que tem dado excelentes resultados. Os pentecostais eram, em 2000, 3,5 milhões, um número altamente expressivo.


Ministérios de ajuda

 Produção e distribuição de Bíblias. Praticamente, todas as línguas possuem a sua versão completa da Bíblia, gerando grandes impactos na vida dos sul-africanos.

 As rádios e TVs cristãs têm grande audiência. São excelentes meios de divulgação do evangelho, cujos resultados têm sido ótimos testemunhos de conversões.

 O filme Jesus vem sendo amplamente utilizado, pois já está disponível em dezoito línguas.

 A literatura cristã está amplamente disponível.


Orai sem cessar

 Para que se estabeleça um governo estável e marcado por decisões sábias e o país tenha leis justas e melhora econômica;

 Pela atual necessidade de cura e reconciliação dos cristãos que, assim como todo o restante da população, se vêem fragilizados após tanta repressão;

 Para que os cristãos consigam se adaptar diante de tantas mudanças sociais;

 Para que a igreja esteja preparada para combater os males da atual sociedade sul-africana, que tem desprezado seus valores morais, aceitando, inclusive, a legalização do aborto, da prostituição e da prática homossexual.

 Pelos missionários e pelo desenvolvimento de seus mais diversos trabalhos com: as vítimas da AIDS, as populações urbanas, os jovens e crianças, os muçulmanos e hindus, entre outros


De província a província


Gauteng - famosa por suas jazidas de ouro e por abrigar as cidades Johannesburgo e Pretória, que a tornam o coração comercial, industrial e administrativo da África do Sul.

Limpopo - rica em recursos naturais, é recheada de cadeias montanhosas, muito atrativas aos turistas. A província alberga diversos povos de cultura rica, como os Vendas (muito supersticiosos) e os Sotho's.

Província Noroeste - rota de fuga à verdadeira África. A natureza é bela e riquíssima. Lá, convivem culturas de aldeias antigas, repletas de histórias para contar.

Free State - situa-se no coração do país. Tem paisagem majestosa e nativos muito carismáticos. Seus recursos para o turismo natural são bastante sugestivos.

Mpumalanga - é um dos destinos turísticos mais procurados na África do Sul, pois ostenta rica e variada vida selvagem. Também se destaca a diversidade cultural de comunidades tradicionais do país.

KwaZulu-Natal - abençoada com uma diversidade de recursos naturais e um clima ensolarado o ano inteiro. Conta com a vibrante cidade Durban e com as influências da Índia e a riqueza da cultura tradicional zulu.

Cabo Oriental - os colonos ingleses se instalaram nessa região em 1820. Em contraste, há o litoral Índico e o árido Karoo, espaço de caças abundantes.

Cabo Ocidental - ladeada pelos oceanos Índico e Atlântico, é cercada de praias de beleza incrível. A cultura aparece na culinária, na arquitetura, nas artes e no artesanato. A Cidade do Cabo é uma das mais bonitas do mundo, com seus vinhedos e casas de cabo de estilo holandês.

Cabo Setentrional - o rio Orange é o sangue vital desta província, irrigando o campo verde luxuriante e vinhedos. A província é notável pela sua arte e escavações de diamante. Santuários de vida selvagem dão oportunidades infinitas para voltar-se à natureza.


Algumas datas importantes na história da África do Sul


Bosquímanos, caçadores nômades, ocupavam os desertos do oeste. Pastores hotentotes os litorais sul e leste. E os bantus, o norte e o leste.

1652 - holandeses fundam a Colônia do Cabo.

1795 - Primeira ocupação inglesa do Cabo.

1803 - O domínio do Cabo retorna aos holandeses.

1806 - Segunda ocupação inglesa do Cabo.

1834 - Libertação dos escravos.

1867 - Início da Revolução Mineral, com os diamantes.

1886 - Descobertas grandes quantidades de ouro.

1889-1902 - Guerra sul-africana. Os Boêres são derrotados pelos ingleses.

1912 - O Congresso Nacional Africano é formado.

1914 - O Partido Nacional é formado.

1948 - O Partido Nacional sobe ao poder.

1961 - A África do Sul é declarada República.

1963 - Mandela é condenado à prisão perpétua

1983 - Fundação da Frente Democrática Unida para aumentar a resistência ao apartheid

1984-1986 - Resistência ao apartheid em todo o país. Declarado "estado de emergência".

1990 - Iniciam-se negociações para uma constituição democrática.

1994 - Primeira eleição democrática. Nelson Mandela torna-se presidente.

1996 - Decretada nova Constituição.


Raio X


Nome oficial: República da África do Sul

Moeda: Rand (US$ 1 = 7,80 rands)

Religião: Cristianismo, 73,5% (independentes reformistas católicos, metodistas, anglicanos, luteranos); tradição étnica, 15%; sem religião/outros, 8,78%; islamismo, 1,45%; hinduísmo, 1,25%.

Idiomas: 11 oficiais (inglês, africâner, xhosa e zulu, entre outros)

População (2000): 40,4milhões

Área: 1.221.037 Km2

Capitais: Pretória (administrativa), Cidade do Cabo (legislativa) e Bloemfontein (judiciária)


Fontes de consulta:

www.africadosullemb.org.br

www.mulheresnegras.org

Intercessão Mundial, JOHNSTONE Patrick e MANDRYK Jason. Missão Horizontes. MG, 2003.

Enciclopédia do Mundo Contemporâneo. Publi Folha. SP, 2000.

Almanaque Abril - Mundo. Editora Abril. SP, 2000.


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