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    Marrocos - Um país exótico, enigmático e religioso

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Marrocos é um extravagante país islâmico que possui um povo hospitaleiro e amigo, mas, no ranking mundial, é o 10º colocado na perseguição aos cristãos


Por Fernando Augusto Bento

Em alguns países do mundo, o tempo caminha mais lento. Marrocos, ao que parece, é uma dessas nações que não liga para a correria que a globalização nos tem proporcionado.

Localizado ao Nordeste da África, Marrocos é um colosso, em se tratando de costumes e tradições culturais. Destaca aos nossos olhos um deslumbre de cores, conforme já temos visto em cenas hollywoodianas com os filmes A múmia, Gladiador, Sansão e Dalila, A jóia do Nilo, Indiana Jones e vários outros longas-metragens sobre a Bíblia.

O carisma marroquino e sua cordialidade são extremamente contagiantes. Entretanto, o cristianismo ainda não trouxe impacto suficiente para a maioria da população. Hoje, 99,85% dos marroquinos professam o islamismo sunita.


As cores e os sons marroquinos


Quem já andou por lá disse que é quente, muito quente. Os aromas e as cores são uma atração indispensável. A hospitalidade é uma das marcas dos marroquinos, sempre dispostos a ajudar os visitantes. Os brasileiros que o digam! As crianças, sempre alegres, exibem seu amor pelo futebol vestindo as camisas do Real Madri e da Seleção Brasileira em celebração a Ronaldo, o fenômeno. Dizem: “Brasil país do futebol campeão do mundo”. A frase é dita em espanhol, e não em português, como aqui foi grafada, já que possuem certa influência da Espanha.

Visite, não se engane. Apesar de alegres e sempre bem dispostas, as crianças sempre hão de pedir alguma coisa, principalmente doces e balas, aos turistas para que possam dar prosseguimento ao passeio.

A língua oficial do marroquino é o árabe, porém, todo bom vendedor de lá sabe falar o espanhol e um pouco de francês. Em falar dos dialetos das tribos berberes, que habitam principalmente o deserto do Saara Ocidental. A mulher marroquina desempenha um importante papel na organização familiar. Cabe a ela cuidar dos filhos e da casa. O marido trabalha fora para o sustento da família. Um show à parte são as casas. Feitas com adobe, uma espécie de argila, terra, pedras e palha, parecem pequenos palácios delicados de areia que podem se desmoronar na primeira chuva. Algumas, foram construídas há centenas de anos, A maioria não possui janela, o objetivo é impedir a entrada do calor.

Os pratos favoritos dos marroquinos são: carne de carneiro e de frango, frutas e legumes. Também apreciam o mechoui (carneiro assado inteiro) e a pastilla (torta salgada contendo carne de carneiro, ovos, pombo, frango, legumes e temperos). Por falar em tempero, os mercados populares perfumam as ruas das cidades com o cheiro do cominho, do gengibre dourado, da páprica, da pimenta-de-caiena, do coentro, do cravo, do açafrão e de muitos outros ingredientes que deixariam um orgulhoso cozinheiro baiano com “inveja”, além do tradicional chá de menta, o mais popular de todos.

O interessante no comércio marroquino é o costume que já ultrapassa dezenas de gerações: os vendedores não utilizam as mesmas roupas que vendem. Fabricam suas próprias vestes, tal como seus antepassados faziam. Os homens usam calças largas e frouxas, chamadas seraweel, e camisas de algodão que vão até os tornozelos, chamadas kumsan. No inverno, vestem, sobretudo, camisolões largos com capuz.

Quanto às mulheres, usam camisas de linho, chamadas bloozat, com mangas largas e curtas. Suas calças, chamadas seraweel, são amarradas nas cinturas com faixas de seda. Fora de casa, costumam cobrir o rosto, com exceção dos olhos, por causa do costume muçulmano.

“Ás vezes, o silêncio do deserto é interrompido por crianças montadas jumentinhos ou pela chuva que chega a cada vinte anos”, disse o escritor americano Paul Bowles, em seu romance O céu que nos protege.


A vida nas cidades


Casablanca, Fès, Marrakech, Meknès e Rabat, a capital, são as únicas cidades com mais de 200 mil habitantes. Nessas cidades se vê o contraste entre o pobre e o rico. As zonas modernas, com edifícios e ruas largas, são chamadas de mellah e consideradas regiões judaicas. Nas regiões antigas e mais periféricas, encontram-se as medinas, conhecida por sua tradição árabe, onde as ruas são pequenas e estreitas. Mas tanto as medinas quanto as mellahs possuem as antigas casas de adobe, onde os comerciantes se amontoam com o propósito de atrair os visitantes: vendem jóias, alimentos, roupas e outros artigos nas pequenas barracas, os souks (mercado ao ar livre).

É muito típico ver encantadores de serpentes pelas ruas. Eles são tidos como falsos profetas. Os grandes artistas que passaram por lá, como, por exemplo, Jimi Hendrix, disseram que a música marroquina é algo hipnótico. Segundo Jimi, ela é como um vinho nobre, que deve ser apreciado com muita calma.

A mistura das culturas berberes, islâmica e ibérica, além da influência da África negra, criou um “caldeirão” de ritmos em plena fervura.

O primeiro sinal da sonoridade marroquina chega aos ouvidos pelo canto muezin, que chama os devotos islâmicos às orações. Esse tipo de som também se faz presente na grande e esplêndida cidade de Marrakech, precisamente em suas ruas e praças. Os sons das gaitas e dos pandeirões compõe a trilha sonora de Marrocos. Há algum tempo, chegou até mesmo a hipnotizar vários músicos ocidentais. Brian Jones, ex-guitarrista dos Rolling Stones (que morreu em 1969, afogado numa piscina), foi um deles. Chegou até a gravar um disco com uma orquestra da aldeia Jajouka, que supostamente zela pelos ritos de Pan, praticados na Roma antiga. Coisa de cinema! Aliás, isso é coisa comum em Marrocos, que já foi locação de centenas de filmes.

As cidades, a todo o momento, recebem caravanas de berberes, vindas do deserto e do interior. Geralmente, são grupos muitos pobres que se deslocam para as cidades em busca de trabalho. Mas a situação é difícil: cerca de 50% da população sofre com o desemprego. Os berberes sofrem muito nas cidades, porque não estão preparados para viver nelas. Geralmente, estão acostumados com casas de madeiras, parecidas com barracos das favelas latinas.

A falta de emprego tem levado milhares de marroquinos a se refugiarem ilegalmente na Europa. E isso é extremamente perigoso para eles. Ao tentarem atravessar o estreito de Gibraltar, que dá acesso à Espanha e Portugal, milhares morrem afogados.


“Os senhores do deserto”


Ao longo do deserto do Saara Ocidental, uma etnia de origem berbere e negra tem-se dirigido às cidades em busca de abrigos. São conhecidos como os “senhores do deserto”, já que, durante toda a sua existência, têm sobrevivido ao calor e o frio do deserto. Estamos nos referindo aos drawas, um povo simples, porém, de complexa organização social: a família mais poderosa dirige o acampamento. A única forma de sobrevivência é o cultivo de tâmaras e tomates, entre outras verduras. E isso graças ao sistema de irrigação deixado pelos judeus. Criam camelos, cabras, bois, cavalos e mulas. Muitos mercadores tentaram conquistar esse solitário povo, que se encontravam instalados na rota para Marrakech, “a jóia do deserto, como é conhecida, por causa da beleza natural que mistura o deserto com a zona urbana. Tanto é assim que, quando se olha ao horizonte da cidadela, ela parece estar inserida na pintura de um quadro.

Além da perseguição dos mercadores, os drawas sobreviveram aos ataques de portugueses, espanhóis, franceses e árabes, permanecendo senhores de si mesmo e de sua cultura.


Alá versus Jesus


O islamismo foi introduzido no país no século 7o, pelo exército árabe. Os muçulmanos marroquinos ostentam certo orgulho pelo Islã antigo, já que foi o núcleo dos ensinos dessa religião. Apesar da liberdade religiosa, as igrejas cristãs só podem ser freqüentadas por estrangeiros, porque a tradição marroquina sunita não permite que um mulçumano deixe o Islã, uma vez que isto aconteça, sua família o abandona. Ser cristão no país significa ser rejeitado pela sociedade. Embora exista a liberdade religiosa no país, conforme dissemos acima, garantida pela Constituição, o maometano sunita acredita somente na supremacia do Alcorão, livro sagrado do islamismo, e ignora as outras leis. Em todas as cidades existe uma mesquita e, no primeiro badalar do sino, que anuncia a hora da oração, o muçulmano se volta para Meca para executar o seu ritual sagrado.

"Quando olhamos para a igreja local marroquina, somos forçados a dizer que o número de marroquinos que fizeram uma decisão por Cristo é muito limitado. De uma população de milhões de pessoas, há apenas alguns milhares de cristãos. Não há permissão para que nos organizemos como uma verdadeira igreja, temos de nos reunir em lares. Além disso, há apenas algumas dezenas de igrejas em todo o país, com maior concentração nas áreas urbanas. É muito difícil estabelecer um modelo de trabalho eficaz para a igreja marroquina", afirma um cristão em entrevista à agencia missionária Portas Abertas.

Segundo Portas Abertas, o crescimento da igreja cristã no Marrocos tem sido impedido. Em parte, isso ocorre devido às constantes atribuições que os meios de comunicação ocidental tem dado ao islamismo, dizendo que todo muçulmano é um “terrorista em potencial”. Por conta disso, os cristãos se tornam vítimas e são rejeitados pelo regime do Estado islâmico. Há mais de 40 anos, o regime monárquico fechou os centros missionários que atuavam por lá. Restam, agora, poucos pastores e missionários, que trabalham de forma clandestina.

Outro fato que impede o crescimento do evangelho é o constante confisco de Bíblias nas versões árabe. Antes mesmo de chegarem à população, são retiradas de circulação e incinerada. Os serviços postais do país não conseguem garantir a chegada de literatura cristã, tornando ainda mais difícil o envio das boas novas de Jesus Cristo. Entretanto, a TV via satélite e as rádios locais têm alcançado sucesso, principalmente entre os jovens. Mas é um árduo desafio para os cristãos se comunicarem em árabe, berbere e tachelhit shilha. O sinal de aceitação do evangelho pode ser limitado, mas a pregação tem causado efeito: centenas de missionários europeus ficam nos portos do velho continente que vão para Marrocos distribuindo Bíblias, livros e, principalmente, o filme Jesus, já assistido por milhares de marroquinos.

Como podemos ver, apesar de serem um povo de uma cultura maravilhosa, os marroquinos precisam urgentemente encontrar a verdade suprema inserida na Palavra de Deus.

Aos cristãos, gostaríamos de deixar a mensagem de 1Coríntios 13. Podemos ter tudo: riqueza cultural e dinheiro, mas se nos faltar o amor e a amizade pelos diferentes homens e povos, sejam cristãos ou muçulmanos, estaremos caminhando para um abismo sem volta.

Os marroquinos podem ser exóticos, enigmáticos, hospitaleiros e religiosos, mas ainda são incapazes de salvar-se a si mesmos. Precisam conhecer Jesus como Senhor e Salvador. Oremos por esse povo. Invistamos em missões: um mandamento divino.

“Deus, abençoe os marroquinos”. Deve ser o nosso clamor!


Povos não-alcançados do Marrocos


Nome: Berbere e drawa

País: Marrocos

Língua: Tachelhit Shilha

População: 353000

Maior religião: Islamismo

Cristãos: 01%

Escrituras disponíveis em sua língua: Sem dados

Evangélicos (desse povo no país): 0 (0%)

Fonte: via Brasil sepal


Saara ocidental


Área: 266 mil quilômetros quadrados

Capital: Laayoune

Etnias: árabes, berberes e drawas

População estimada: 239 mil

Economia: agricultura, pastoreio e extração do fosfato

Refugiados: 190 mil

Colonos marroquinos árabes e berberes: 135 mil

Saharawi: 65 mil

Religião: muçulmana

Divisão: 120 mil vivem no território marroquino, porém, 190 mil são refugiados


Você sabia...

...Antes de 1948, o Marrocos possuía uma população de 250 mil judeus. Hoje, restam apenas 15 mil na região urbana e são altamente respeitados.


Estatística geral do total da população de 30,6 milhões de habitantes


Mulçumano sunita: 99,86% crescimento anual + 1,8%

Cristã: 0,10% crescimento anual + 0,1%

Judaica: 0,05 crescimento anual + 1,8%


A Igreja


O cristianismo chegou ao Marrocos ainda no primeiro século da era cristã e muitas dioceses já haviam sido estabelecidas no final do segundo século. Infelizmente, a igreja passou por problemas terríveis nos anos subseqüentes, devido à perseguição romana, às invasões dos vândalos e às divisões internas. Finalmente, os exércitos muçulmanos colocaram um ponto final na presença do cristianismo na região.

Em 1220, um novo esforço missionário foi iniciado pelos franciscanos, mas a evangelização foi suprimida e a igreja permaneceu fraca. A atitude positiva dos líderes da igreja, com relação ao movimento de independência, ajudou a melhorar a imagem do cristianismo perante a opinião pública.

Fonte: Cristianismo de alto risco, 13/12/01, p. 65.


Quer saber mais sobre o Marrocos?

Almanaque Abril, edição de 2004

Intercessão Mundial, edição 2003

Biblioteca Pública, São Paulo e Jundiaí (SP)

Instituto Cristão de Pesquisas: www.icp.com.br

Missão Portas Aberta: www.portasabertas.org.br

JOCUM (Jovens com uma missão): www.jocum.org.br


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