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    Egito - Antiga terra dos faraós e atual domínio muçulmano

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É um dos países mais visitados do mundo, sua história é de fundamental importância para a humanidade. Pena que, ainda hoje, a perseguição aos cristãos faz parte dessa cultura milenar!


Por Fernando Augusto Bento

Mesmo quando ainda não existiam agências de turismo e o homem nem sonhava em ser moderno, o Egito já era visitado pelos povos de sua época. O fascínio era saber como o homem conseguiria sobreviver ao deserto. A resposta dos egípcios seria simples: "Os 'deuses' nos abençoaram com o rio Nilo". Com a chegada de José (o filho mais querido de Jacó), vendido ao Egito pelos mercadores de escravos, a história desse país mudou. O fato ocorreu há 3.880 anos. A Bíblia relata que o jovem hebreu tornou-se governador da terra dos faraós, mas, depois de sua morte, o povo hebreu foi escravizado, por 430 anos, pelos egípcios. Então, surgiu Moisés e, mais uma vez, o Egito teve sua história transformada. Hoje, o país é uma república islâmica, muito diferente da época de Moisés, quando os egípcios eram politeístas; ou seja, adoravam vários deuses.

Aos interessados em conhecer os primórdios da história do Egito, a Bíblia é uma fonte inesgotável. De Gênesis 37 até o final de Êxodo 14, temos a narração sobre os egípcios, poderosos escravocratas que maltratavam o povo hebreu. Mas também encontramos, no final da história, um país massacrado pelas pragas e cujo exército foi vencido pelas águas do Mar Vermelho.

Durante toda a trajetória egípcia, vemos uma nação vivendo sob os caprichos dos faraós. Hoje, o Egito não é mais o mesmo da Bíblia: tornou-se islâmico e monoteísta. Na antiguidade, era extremamente politeísta: prestava culto a faraó e a vários deuses.

Atualmente, os egípcios, descendentes dos cópticos da época bíblica, estão envolvidos pelas tradições árabes. É notório o orgulho que sentem em ostentar as construções mais antigas do mundo: as pirâmides. Contudo, este sentimento é logo suprimido, por causa da fé em Alá.

O Cairo é a maior capital da África, com cerca 17 milhões de habitantes. Atualmente, o número de pessoas que residem (ou melhor, se espremem) às margens do Nilo chega a 71 milhões. O rio em referência é o bem mais precioso daquela região do continente. Todo o cultivo agrícola é produzido praticamente nas terras férteis banhadas pelo Nilo. A população local sabe dar valor ao antigo estilo de vida de sua civilização, já que os egípcios, em sua maioria, vivem como guias turísticos ou como ajudantes nas expedições arqueológicas.


Passeando pelo Nilo


A civilização egípcia formou seu país ao longo do rio Nilo. A cidade de Alexandria, com cerca de cinco milhões de pessoas, é um barulho só e, no passado, ostentava o troféu de ter a maior biblioteca da antiguidade, com cerca de 1,5 milhão de papiros. O famoso farol de Alexandria, com 120 metros de altura e todo de mármore, era uma das sete maravilhas do mundo antigo, mas já desapareceu. Do seu passado de glória, pouca coisa restou. Cinco vezes ao dia, a cidade fica em silêncio. Estamos nos referindo aos períodos em que os maometanos fazem suas orações, sempre com o Alcorão ao lado.

Segundo alguns escritores, para se conhecer o Egito é preciso se deixar levar pelas águas do Nilo, porque é impossível conhecer a natureza dessa região sem percorrer todo o seu leito, onde existem pequenas aldeias, cada uma com um jeito próprio e diferente de viver o dia-a-dia e é possível ver barcos bem antigos, feitos de junco.


Os felás


O estilo de vida dos egípcios que vivem na cidade e daqueles que se encontram nas pequenas vilas às margens do Nilo é bem diferente. Cada aldeia forma um mundo particular e, às vezes, intransponível. A maioria da população vive nas zonas rurais, o restante é composta por camponeses pobres, chamados de felá. Suas casas são feitas de adobe, uma mistura de argila com palha, e, normalmente, possuem três cômodos.

São numerosos e seu trabalho, extremamente penoso e insalubre. Quando os jovens se casam, vão morar com os pais. Conhecem pouco da vida moderna. Vão às cidades apenas para participar do costumeiro bazar semanal, onde vendem e compram mantimento. Uma vez nas cidades, os homens vão aos cafés, onde conversam e discutem assuntos religiosos.

Os homens se vestem com uma espécie de camisa que vai até os tornozelos, mas também usam calças largas de algodão, de comprimento até os joelhos. As mulheres usam vestidos longos (até os tornozelos) e de mangas compridas, feitas de algodão e cores vivas. Estão sempre de véu ou xale preto, para cobrir o rosto na presença de estranhos. São muito vaidosas. A maioria delas usa bijuterias ou jóias.


O deserto e os beduínos


O deserto egípcio não é desabitado. Nele, peregrinam os beduínos, uma etnia muito antiga com costumes próprios e centenários. Os beduínos vivem praticamente do pastoreio de ovelhas e cabras e da venda de camelos, atividades responsáveis por seu sustento. Aliás, a venda desses animais é um espetáculo à parte, pois os beduínos são ótimos mercadores. São capazes de "vender areias do deserto para um forasteiro desapercebido".


A agitação do Cairo


O Cairo tem uma peculiaridade singular. É uma cidade agitada. Nas ruas, nenhum egípcio fala calmamente. Todos gritam. E agem dessa forma para poder persuadir um turista a comprar seu produto. "Os egípcios são assim mesmo, só se entendem gritando uns com os outros, fazendo muita confusão", brinca um comerciante, Abd El Nasser Ahmed.

Existe de tudo nas ruas do Cairo, desde simples calculadoras até os mais modernos computadores. É de causar inveja em Assunção, no Paraguai.


Culinária egípcia


A alimentação do Egito é interessante. Não faltam os cereais. O pão, feito de milho, é o prato principal, normalmente vem acompanhado de kishk, uma pasta de cereal e faria misturada com legumes. Os egípcios raras vezes comem carne e peixe, por isso são vítimas da desnutrição e anemia, além de outras doenças semelhantes.


Atrocidades islâmicas


O cristianismo chegou ao Egito no século 1o antes de Cristo. Segundo a tradição, foi o apóstolo Marcos que fundou a igreja de Alexandria. Muitos movimentos cristãos importantes surgiram no Egito em anos posteriores. O islamismo só chegou ao país séculos depois e, devido às conversões em massa, transformou-se na religião principal.

No passado, foi um caldeirão de deuses, mas, hoje, o Egito é um país monoteísta islâmico. Do seu orgulho histórico, só fala se for para conquistar algum benefício financeiro. Em verdade, tornou-se adepto do Islã por causa da afinidade com o povo árabe que habita a fronteira do continente africano com o asiático, especialmente a região do Oriente Médio. Por mil anos, o Egito se autodenominou uma nação cristã, mesmo depois da conquista muçulmana, em 640 d.C. Mas, infelizmente, hoje, o lema popular, patrocinado pelo governo, é: "O Islã é a solução", por acreditar que as doutrinas dessa religião possam trazer a solução para a pobreza e as mazela do povo.

Os egípcios não têm liberdade para ser cristãos. As notícias correm por meio das agências missionárias e nos dão conta de que muitos cristãos são torturados pelas autoridades egípcias. E não são poucos os presos por aceitarem Jesus como Senhor de suas vidas. Muitos cristãos estão indo para outras cidades a fim de servir o Senhor com mais liberdade. É o caso, por exemplo, de Miriam Guirguis Makar. Ex-muçulmana, casada e mãe de duas filhas pequenas. Ela e o marido se converteram ao cristianismo quando ainda moravam no Cairo. Resolveram, então, se mudar para Alexandria, em 1999, na tentativa de deixarem a identidade de muçulmanos e começarem uma nova vida como cristãos. De acordo com a lei egípcia, é proibido a um muçulmano mudar sua identidade religiosa, embora os cristãos possam converter-se facilmente ao islamismo.

Fonte segura da Missão Portas Abertas diz que um dos convertidos encarcerados foi gravemente espancado durante o tempo em que estava sob custódia da polícia. Depois da surra, foi levado a um hospital, mas morreu. Foi identificado como Issam Abdul Fathr Mohammed, tinha cerca de 40 anos e, segundo consta, sofria de diabetes e outras doenças.

De acordo com um relatório da Anistia Internacional, publicado em 20 de novembro de 2003, pelo menos vinte detidos foram torturados no Egito até a morte no ano passado enquanto estavam sob custódia policial. "A tortura e outros tratamentos cruéis, desumanos e degradantes continuam sendo praticados sistematicamente em centros de detenção", acusou a Anistia.

Parece que estamos em outro mundo, já que vivemos a liberdade religiosa no Brasil. Às vezes, é difícil acreditar que pessoas estão morrendo por Cristo em alguns lugares do mundo. Mas esse absurdo é a mais pura realidade. É a mais pura verdade. Quantos familiares de missionários mortos no campo podem testemunhar isso!


A igreja evangélica e o poder divino


A igreja evangélica no Egito é pequena, porém, valente. Em meio às perseguições maometanas, o poder do Senhor tem sido um inesgotável combustível de alegria e perseverança aos cristãos que vivem na antiga terra dos faraós.

A igreja evangélica egípcia tem obtido êxito em seu trabalho, apesar de os cristãos estarem sempre sob rígida repressão por parte dos políticos muçulmanos. Ainda não existe uma lei que proteja o direto do cidadão de escolher a religião que deseja seguir, por isso os tribunais egípcios são parciais em suas decisões. Quando o assunto envolve religião, os tribunais de lá jogam as questões humanitárias no lixo. As autoridades ficam assustadas com a coragem dos novos cristãos. A crueldade não respeita ninguém: mães, idosos, jovens...

Hoje, o Egito encontra-se no 19o lugar no ranking mundial dos países que perseguem os cristãos. Um massacre silencioso ocorre anualmente por lá. Estatísticas dão conta de que mais de 2600 pessoas morreram simplesmente porque confessaram Jesus Cristo como Salvador.

As agências missionárias do mundo inteiro estão intercedendo pelos cristãos e pelos missionários no Egito. Segundo um missionário, que esteve recentemente por lá, nada é mais emocionante e chocante do que ver uma alma, escrava do islamismo, sendo salva e remida por Deus.

Para aqueles que não podem ir a um desses países com fome da verdade, fica a seguinte mensagem: orem, clamem intensamente em favor das instituições que levam as boas-novas do evangelho.


Zoom histórico


3100 a.C - O rei Menés promove a unificação dos reinos separados do alto e do baixo Egito.

2700- 2200 a.C - A arte e a arquitetura egípcia alcançam o apogeu durante o antigo império.

2200 - 2050 a.C - Várias famílias lutam para governar o Egito.

2050 - 1800 a.C - Uma família de governantes de Tebas transformou o Egito em um Estado feudal.

1800 - 1570 a.C - Vários reis fracos governaram o Egito e os hicsos, vindos da Ásia, invadiram o país.

1490 - 1436 a.C - O império egípcio alcançou o apogeu durante o reinado de Tutmés III.

1367- 1350 a.C - O rei Aquenáton introduziu grandes mudanças na vida artística, política, religiosa e social do país.

1090 - 945 a.C - Os sacerdotes e os nobres lutavam pelo poder real e deixaram o Egito dividido em pequenos Estados.

945 a.C - Shenshonkl se apossou do trono egípcio e fundou uma dinastia de soberanos líbios no Egito.

750 a.C - Piankhi derrotou os líbios e iniciou um período de dominação sudanesa no Egito.

670 a.C - Conquista dos assírios.

525 a.C - Conquista dos persas.

332 a.C - Alexandre, o Grande, anexou o Egito ao seu império.

306 a.C - Ptolomeu I tornou-se rei do Egito.

30 a.C - Conquista dos exércitos romanos.

642 d.C - Os árabes dominam o Egito, período em que surgiu o império bizantino.

1500 d.C - Napoleão Bonaparte invade o Egito com suas tropas.

1805 d.C - Forças britânicas e turcas expulsam os franceses.

1869 d.C - Construção do canal de Suez, um marco da influência européia.

1882 d.C - Reforçada a ocupação britânica.

1922 d.C - Proclamação da independência, período em que o Egito se torna uma monarquia.

1936 d.C - As batalhas da Segunda Guerra Mundial atingem os territórios egípcios.

1948 d.C - Conflitos contra a criação do Estado de Israel.

1952 d.C - Gamal Abdel Nasser toma o poder.

1956 d..C - Novo conflito com Israel, por causa do canal de Suez.

1958 d.C - Nasser faz aliança com a Síria e transforma o Egito em um só Estado.

1967 d.C - O Egito perde a faixa de Gaza e a península de Sinai para Israel.

1973 d.C - Durante o feriado nacional de Israel, o Yom Kippur, o Egito e a Síria tentam recuperar os territórios perdidos em 1967.

1979 d.C - Israel e Egito assinam o acordo de Camp David, intermediados por Jimmy Carter, então presidente norte-americano.

1979 até 2004 - Houve vários conflitos, mas a necessidade maior do egípcio está em sua alma: precisa conhecer a verdade em Jesus Cristo.


Você sabia que...


... a única das sete maravilhas do mundo antigo ainda existente está no Egito e são as pirâmides?


Religião


Muçulmana: 86,56%

Cristã: 12, 98%

Sem religião e outras: 0,50%


Para saber mais sobre o Egito


Almanaque Abril, edição de 2004

Interseção Mundial, edição 2003

Biblioteca pública de São Paulo e Jundiaí

Missão Portas Abertas

Enciclopédia Delta Universal

www.portasabertas.com.br

JOCUM

www.jocum.org.br


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