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    Líbano - A peróla do Oriente

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Por Gilson Barbosa

Líbano é o moderno nome da região litorânea do mediterrâneo, outrora denominada de Fenícia. É conhecido como o país dos cedros. Os libaneses são os antigos povos fenícios procedentes de Sidom, filho de Canaã, personagem bíblico (Gn 9.18). Suas duas cidades mais expressivas são: Tiro e Sidom. Em seus limites fronteiriços, estão: Israel, ao Sul, e Síria, ao Norte.


Etimologia


Três termos são intercambiáveis na história do Líbano, por isso é interessante defini-los para que não haja confusão ao tratarmos do assunto. São eles: Líbano, Fenícia e Canaã. A conceituação a seguir está em conformidade com a obra O Líbano eterno, do escritor Henrique Paulo Bahiana.

"O nome Líbano é encontrado em caracteres cuneiformes babilônicos e em hieróglifos egípcios que datam de 2000 anos antes de Cristo e é referido mais de sessenta vezes no Antigo Testamento. O referido nome parece provir do hebraico Leben, que significa 'branco' ou 'brancura'; ele foi dado às montanhas do país em virtude da neve que cobria seus cumes. Assim, Líbano significa 'Monte Branco' [...] O nome Fenícia deriva de Pheinos, que significa 'vermelho', alusão à púrpura (corante) originária do país e que os gregos ali adquiriram, ou à cor bronzeada de seus habitantes ou à precipitação, no mar, de águas avermelhadas por terra especial [...] Os fenícios atribuíam-se o nome de 'cananitas', o mesmo nome dos habitantes da Palestina. Canaã significava 'terra baixa'".


História


A história do Líbano é complexa. O historiador Jawad Boulos nos oferece uma didática que pode facilitar a compreensão. Ele propõe dividir a história do país em dois períodos: marítimo ou fenício e continental ou islâmico. O primeiro período se estende de 4000 a.C. até 640 d.C. e, durante esse tempo, a vida econômica, política e social do Líbano progredia independentemente das atividades comerciais, culturais e marítimas desse país. O segundo período termina no início do século 20, quando o país estava economicamente dominado pelas atividades agrícolas. Esses dois períodos são levados em conta mesmo com a região sendo dominada e invadida por outras raças e povos. Isso se deve ao fato de que esses dois povos - fenícios e árabes - imprimiram, com mais propriedade, no Líbano heranças expressivas do ponto de vista cultural e étnico.

Os fenícios são frutos de uma fusão gerada entre os antigos habitantes da região, conhecida atualmente como Líbano. Estamos falando dos cananeus e dos arameus. Os fenícios procederam de Sidom, filho de Canaã (Gn 10.15).

A Fenícia foi dominada pela Assíria e pela Babilônia durante 188 anos (727-539 a.C.). As cidades de Tiro, Sidom, Biblos e Arvad pagaram pesados tributos ao rei Assurbanipal, da Assíria, cerca de 100 anos, quando resolveram sacudir o jugo assírio. Foram duramente combatidos por meio de uma sangrenta que resultou na morte de milhares de fenícios. Após 612, o império babilônico sobrepujou a nação da Assíria, dominando a região. Esse domínio foi contido pelo soberano Ciro, fundador do império persa, em 539 a.C., e a Fenícia passou a ficar em poder dos persas. A região, durante esse período, gozou de aparente estabilidade. A cidade de Sidom se tornou um importante ponto de apoio aos interesses persas. O domínio Persa foi pungente, mas foi derrotado pelo general grego Alexandre, O Grande, em 333 a.C. A língua aramaica, introduzida pelos persas, foi paulatinamente substituída pelo grego.

Em 64 a.C., com o enfraquecimento do império grego, a região foi dominada pelos romanos e seu território anexado à província romana da Síria. Relativa paz, progresso e prosperidade se instalaram na região dominada pelos romanos, que deram certa autoridade e independência às principais cidades fenícias-libanesas. Inúmeros libaneses se converteram ao cristianismo no período de Augusto César e foram perseguidos. Antes disso, eram politeístas e adoravam alguns deuses, tais como: El, Baal, Moloque, Adonis, entre outros. O desenvolvimento do cristianismo, no Líbano, ocorreu com a tolerância religiosa estendida por Constantino, o Grande.

A divisão do império romano em duas partes deu origem ao conhecido período bizantino. A parte oriental teve sua sede em Bizâncio (Istambul). A sede do ocidente ficou em Roma. O lado oriental ofereceu resistência às investidas dos bárbaros e o Líbano continuou sendo dominado pelos bizâncios até a vinda dos árabes muçulmanos.

Os árabes invadiram e conquistaram o Líbano em 655 a.C., exercendo domínio até 1095 a.C. Devido a esse domínio árabe, o Líbano sofreu forte influência religiosa (o islamismo) e lingüística.

Por tudo isso é que os estudiosos da história libanesa dizem que não há preponderância árabe, do ponto de vista étnico, mas, sim, que o país possui uma vasta quantidade de influências culturais devido às nações que o invadiram: Grécia, Pérsia, Roma, Assíria e Babilônia.

Dando um salto na história, chegamos ao século 19, com a dinastia Chechab (Bashir Chechab). Bashir Chechab II teve de abdicar o governo após permitir que tropas egípcias adentrassem em território libanês. Os libaneses estavam em confronto com os otomanos, ou seja, os turcos que haviam invadido o Líbano anteriormente e dividido o governo da região em quatro partes. Acontece que o tratamento dado pelas tropas egípcias aos libaneses foi hostil, o que culminou com a derrocada de Bashir Cechab II do governo.

Os otomanos, então, formaram dois distritos no Líbano: um cristão e outro druso (dissidentes da região islâmica). Tal decisão culminou em conflitos com perdas de várias vidas. O império otomano sucumbiu às tropas aliadas (França, Inglaterra e Turquia) e o território do Líbano foi dividido entre si. A França foi muito importante para assegurar a independência do povo libanês. Durante o mandato francês, de 1920 a 1926, criou-se o "Grande Líbano", que foi constituído pelas terras que outrora haviam sido despojadas. A Constituição Libanesa foi proclamada em 1926, tornou-se independente em 1943 e ficou sob a tutela francesa até 1946. Nesse ano, depois de vários incidentes, o Líbano se tornou independente da França e da Inglaterra, após a retirada das respectivas tropas desses países.

A Constituição Libanesa estabeleceu uma forma peculiar de governo político para atenuar os conflitos sociais existentes. Então, decidiu-se que o presidente da República deveria ser cristão, maronita; o primeiro-ministro, muçulmano, sunita; e o representante da Câmara dos Deputados, muçulmano, xiita, composição que demonstra a complexidade política existente no Líbano.

Mesmo assim, as divergências entre cristãos e muçulmanos se intensificaram cada vez mais até culminar na invasão de Israel em território libanês, por causa de uma guerrilha contra os israelitas promovida pela OLP (Organização para a Libertação da Palestina), que tinha seus tentáculos no Líbano.


Geografia


O Líbano é um país entre montanhas. Uma estreita faixa litorânea ao Norte se alarga abrangendo os montes Líbanos e Anti-Líbanos. O Monte Hermom está localizado no Extremo Sul do Anti-Líbano. Os Líbanos e os Anti-Líbanos são duas cordilheiras paralelas sempre cobertas de neve. Entre as cordilheiras, está o Vale de Bekaa. Os dois rios existentes são: Litani e Orontes (atual Nahr al-Assi).

Quanto ao clima, o relevo e a proximidade com o Mar Mediterrâneo proporcionam variações, influenciando-o de forma relevante. A temperatura varia de 14ºC a 25ºC.

A vegetação cobre uma importante parte do Líbano, cerca de 7%. O destaque fica por conta dos cedros, o emblema do país e o adorno da bandeira libanesa.


A relação do Líbano com o Brasil


"O Brasil tem uma relação cordial e histórica com o Líbano. Desde o início do século 19, temos a presença e a instalação de libaneses no Brasil. Os dados atestam que a emigração libanesa no Brasil esteja na casa dos sete milhões de pessoas. A relação amiga com o país do Líbano advém dos tempos de d. Pedro II, que teria visitado o Líbano em duas ocasiões (1871 e 1876) e teria feito convites para que os jovens libaneses emigrassem para o Brasil.

"D. Pedro II era um grande admirador da literatura e da cultura árabe, chegando mesmo a conhecer a língua árabe quando estudou no Brasil com um arabista alemão. O Imperador esteve no Líbano acompanhado de sua esposa, dona Tereza Christina Maria, e de uma comitiva de aproximadamente duzentas pessoas (barões, viscondes, damas, etc.), vindo da Grécia no navio "Aquiíla Imperial", de bandeira verde-amarela. Hospedou-se no Hotel Belle Vue, em Beirute, e, munido de uma égua branca e uma mochila, percorreu o país dos cedros. A visita de uma autoridade brasileira de tamanha importância àquele país em tal época pode ser considerada de grande valor histórico, apesar de a mesma ter sido em caráter turístico e científico.

"Em Beirute, d. Pedro II visitou o Colégio Protestante Sírio (fundado em 1866 e que, mais tarde, tornou-se a Universidade Americana de Beirute), o Colégio Francês dos Jesuítas (fundado em 1875 e que veio a ser a Universidade Saint Joseph) e outras instituições. Encontrou-se com grandes mestres das ciências e da literatura, entre os quais o famoso gramático de língua árabe, Ibrahim Al-Yazigi, que lhe ofereceu vários livros em árabe ornados com palavras dedicatórias (tais livros se encontram, hoje, no Museu Imperial de Petrópolis, no Estado do Rio de Janeiro); visitou o grande Professor Cornelius Van Dyck, do qual assistiu a uma aula sentado com os alunos, entre os quais estava Nemi Jafet, intelectual pioneiro da emigração para o Brasil. Em Bkerké, visitou o Patriarca da Igreja Maronita, Boulos Mass'ad (1854-1890). Em Baabda, não deixou de conhecer o governador-geral Rouston Pacha Mariani (1854-1883). Em seguida, o Imperador continuou sua viagem em direção ao Vale do Bekaa, a grande planície fértil do país, chegando à cidade de Chtaura.

"Durante o percurso de sua comitiva, sempre escoltada por soldados, dos quais um seguia à portando uma longa lança com a bandeira verde-amarela, o imperador se encontrou com vários camponeses e lhes falou da nova terra chamada Brasil, um país vasto e fértil, onde já se encontrava um pequeno número de libaneses vindos da Europa e do Egito.

"O imperador ficou encantado com o dinamismo do povo libanês e disse: 'Gostaria de ver o maior número de vocês no Brasil, prometo recebê-los bem, e tenham a certeza de que retornarão prósperos'. O que realmente aconteceu. Hoje, são mais de seis milhões de libaneses e descendentes no Brasil e cerca de sessenta mil líbano-brasileiros residentes no Líbano. Dois países amigos e com fortes laços humanos".1


A origem do Hezbolah


Na primeira semana de junho de 1982, Israel invadiu o Líbano com seus tanques, avançando pela fronteira com aviões e tropas.

O objetivo era fazer uma limpeza militar numa faixa estreita no Sul do Líbano, que estava ameaçando a segurança de Israel. O alvo era destruir a OLP, que se instalou no Líbano depois de 1970 e criou suas bases, de onde começaram a surgir os confrontos com Israel.

As cidades tomadas por Israel foram Tiro, Sidom e Damour. Começou, então, o cerco a Beirute. Israel causou, com seus ataques aéreos e marítimos, um efeito devastador na capital daquele país.

Após pressões internacionais, Israel se retirou do Líbano, mas, ao deixar Beirute, estabeleceu uma zona de ocupação no Sul do Líbano, chamada "Zona de Segurança". Em tese, o objetivo era impedir que a OLP, instalada no Sul do país, atacasse Israel pelo lado Norte.

O estabelecimento de Israel no Sul do Líbano foi inicialmente aceito pela população libanesa, visto que, dessa forma, pelo menos parcialmente, a guerra teria uma trégua e eles estariam "seguros". Mas como era de se esperar, levantou-se uma resistência xiita contra a ocupação israelense. Nessas circunstâncias, Israel, paradoxalmente, "criou" seu pior inimigo: o Hezbolah (Partido da Resistência Libanesa).

O Hezbolah surgiu em 1982 no subúrbio xiita de Beirute dentro desse contexto de ocupação israelense. Quando Israel invadiu Beirute, apareceram as primeiras presenças de milícias armadas xiitas contra os tanques israelenses, usando uma tática até então desconhecida que levava à morte o próprio atacante, ou seja, os ataques suicidas: é o inicio dos "homens-bombas".


O que reservará o futuro?


Em situações como a que o Líbano vem vivendo, é comum o surgimento de fervorosas interpretações escatológicas. Especialmente, em meio ao conflito atual, cujo estopim foi o seqüestro de dois soldados israelenses pelos guerrilheiros do Hezbolah, em julho de 2006. O motivo era trocar os dois soldados por militantes presos em Israel. O resultado, como todo resultado das guerras, foi devastador: mortes, destruição, lágrimas e fugas.

Pedimos a todos os irmãos em Cristo que orem pela paz no Oriente Médio e, em especial, pelo Líbano. A liberdade religiosa nesse país não tem comparação no mundo muçulmano. A Sociedade Bíblica distribui livremente Bíblias dentro e fora do país e outros ministérios cristãos também operam lá. Entretanto, o povo libanês está profundamente traumatizado e a situação sociopolítica não é estável. Os cristãos emigram continuamente para os países ocidentais. Os recentes incidentes mostram quão incerta é a situação dos cristãos no Líbano, uma incerteza que provavelmente permanecerá para o futuro.


Religião


Muçulmanos xiitas: 34%

Cristãos católicos 25,1%

Muçulmanos sunitas: 21,5%

Cristãos ortodoxos: 11,7%

Drusos: 7,2%

Cristãos protestantes: 0,5%


Igrejas no Líbano e quantidade estimada de membros


Igreja Maronita: 570.000

Igreja Ortodoxa Grega: 160.000

Igreja Apostólica Armênia: 120.000

Igreja Católica Melchita: 114.000

Igreja Católica Armênia: 10.000

Igreja Católica de rito latino: 10.000

Igreja Ortodoxa Síria: 9.000

Igreja Católica Caldéia: 9.000

Igreja Católica Síria: 9.000

Igreja do Leste: 4.500

Igreja Batista da Convenção: 4.500

União Evangélica Nacional: 2.800

Igreja de Deus (Anderson): 2.000

União das Igrejas Evangélicas Armênias: 2.000

Sínodo Evangélico Nacional (Igreja Presbiteriana): 1.600

Outras denominações: 11.600


Dados gerais


Continente: Ásia

Capital: Beirute

Área: 10.452 km²

População: 3,5 milhões

Nacionalidade: libanesa

Idiomas: árabe, francês, inglês e armênio

Governo: República parlamentarista

Economia: Lira Libanesa (um lira libanesa equivale a, aproximadamente, R$ 1,50)


Consulado Geral do Líbano em São Paulo


Av. Paulista, 688, 16º andar

Bela Vista - São Paulo - SP

CEP 01310-100

Tel.: (11) 3262-0604 / 0534 / Fax: (11) 289-5051

e-mail: consuladosp@libano.org.br


Embaixada do Reino Unido do Líbano


SES 805 - Avenida das Nações - Lote 17 - Brasília - DF - Brasil

CEP 70411-900

Tel.: (61) 443-5552 / 443-3808 / (61) 443-8570 / Fax: (61) 443-8574

http://www.libano.org.br/


Referências:

http://www.libano.org.br/

http://www.confelibra.org.br/

http://www.portasabertas.org.br/paises/perfil/

BAHIANA, Henrique Paulo. O Líbano eterno. 1980, p.5.

Enciclopédia Barsa - CD-ROM - Verbete "Líbano".


Nota:

1 Do livro Líbano: guia turístico e cultural, de Roberto Khatlab


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