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Quem nunca ouviu falar do imperador Napoleão Bonaparte, da heroína medieval Joana D’Arc e do explorador dos oceanos Jacques Cousteau? Pois bem, essas ilustres personalidades marcaram a história da França, país que se tornou ainda mais conhecido pelos brasileiros na Copa do Mundo de 1998 (lembra?), quando a nossa seleção, prestes a conquistar o troféu da competição, fora surpreendentemente derrotada por seus jogadores. Situada no oeste da Europa, a França é o país mais visitado no mundo (recebe anualmente mais de 60 milhões de turistas) e um dos sete mais ricos do planeta. Por essas e outras características, podemos dizer que é a capital dos direitos humanos. Apesar de toda a sua pompa, pois ocupa posição central no sistema econômico e político internacional, há uma brecha que precisa ser fechada: a ausência do evangelho de Cristo. E é justamente esse desafio que o Caderno Especial Missões e Culturas, em seu retorno a esta revista, pretende lançar ao povo de Deus ao publicar matéria sobre esse país.


Fatos históricos


A origem da palavra “frança” vem do germânico franks, que significa “bravo”, daí o país se chamar França, que quer dizer: terra dos francos ou terra de bravos.

O território francês foi invadido pelos germânicos (francos) das regiões setentrionais do rio Reno, ao norte do Ártico, povoadas na época pelos celtas e pelos bascos, conhecidos também como gaulenses ou galos.

A França, cujo nome foi dado pelo exército de Júlio César, entre 58-61 d.C., sempre foi um território cobiçado pelos povos circunvizinhos: bárbaros, francos, visigodos e burgúndios, que dominavam a região no século V.

É de estranhar a influência que os bárbaros exerceram naquela sociedade, pois constituíam a minoria, mas, por circunstâncias históricas, foram os responsáveis pela ocupação e pelo nome do país.

Clovis I foi o idealizador do império e do governo francês, fixando, assim, a dinastia Merovíngia, tornando–a a base da monarquia ali implantada. A verdade é que o apogeu da França começou com a expulsão dos árabes de suas terras, em 732 d.C. Com essa conquista, os franceses obtiveram sua independência.


Um país livre, mas com conturbações políticas e econômicas


Entre 1337 e 1453, França e Inglaterra envolvem-se em uma disputa territorial que ficaria conhecida como Guerra dos Cem Anos. Sob inspiração de Joana D’Arc, mais tarde queimada como herege em Rouen, os franceses derrotam os ingleses em Orleans em 1429. A França sai vitoriosa do longo conflito e conquista possessões do inimigo. Essa guerra teve duas causas principais: a política e a economia.

A questão política começou com a morte, em 1328, de um dos filhos de Felipe V, o belo, o rei Carlos IV, que não deixou sucessor ao trono. Com o fim da dinastia Capetíngia, deu-se início à luta pelo trono.

O rei da Inglaterra, naquela época Eduardo III, reivindicou para si o trono francês, pois era neto de Felipe V, o belo, por laço materno. Os franceses de modo nenhum aceitaram a idéia de um rei inglês governando a França, então recorreram a uma lei antiga dos francos que ordenava que nenhum descendente materno poderia ocupar o trono (estamos falando da lei Sálica). Com base nesta lei, os franceses entregaram o império a Felipe VI, sobrinho de Felipe V. O pretendente inglês não acatou a empreitada dos franceses para estabelecer o trono e decretou guerra contra a França.

O motivo econômico da guerra foi o interesse da Inglaterra pelas regiões belga e holandesa, fortes produtoras de lã e grandes centros comerciais para os burgueses ingleses. Como a indústria têxtil dessa região dependia única e exclusivamente da matéria-prima fornecida pelos holandeses e belgas, estes temiam que os franceses dominassem seu território e colocassem alguma taxa prejudicando o comércio de lã. A guerra não foi contínua, pois apresentou vitórias de ambos os lados, e vários momentos de tréguas.

De qualquer maneira, a Guerra dos Cem Anos sempre foi acompanhada de calamidades que ocasionaram na Europa a peste negra, a fome e as revoluções sociais, causando miséria à área rural, explorada pelos senhores latifundiários que chegaram a matar nada menos do que a terça parte da população européia.


A incrível heroína Joana D’Arc


Joana D’Arc nasceu em seis de janeiro de 1412. Depois do seu nascimento, a França nunca mais foi a mesma. Ela morreu aos 29 anos, em 1431, queimada viva na fogueira pelos ingleses.

Essa simples camponesa despertou nos franceses uma paixão nacionalista decisiva para a vitória da Guerra dos Cem Anos. Através de sua ousadia e coragem, Joana D’Arc conseguiu grandiosas vitórias para a França. Uma dessas vitórias culminou na coroação de Carlos VII. Tantas conquistas, no entanto, lhe acarretaram invejas e inimigos. Por fim, ela acabou sendo vendida como escrava para os ingleses, onde foi queimada viva na fogueira. Sua morte, no entanto, trouxe à França um espírito de nacionalismo que fez que os franceses, revoltados, buscassem a todo custo o desejado triunfo sobre os ingleses.

Em 1453, a tão esperada paz. A vitória francesa sobre os ingleses assegurou a monarquia e dissipou as intenções da Inglaterra de tomar o país.


O iluminismo


A principal filosofia do iluminismo é a busca da razão e do crescimento intelectual. Com um pensamento racional, inicia-se então uma nova fase da literatura francesa em 1685. O pensamento iluminista se opunha ao pensamento bárbaro de que pela força se conquista o poder na sociedade. Tudo isso aconteceu por causa do Édito de Nantes, pelo qual se dava direito de liberdade de expressão religiosa aos protestantes.

O primeiro grande autor a influenciar a sociedade no século XVIII foi o barão de Charles de Montesquieu, cuja obra extraordinária Del ´esprit des lois (espírito da lei), publicada em 1748, influenciou décadas à frente e mobilizou algumas leis da importante constituição de 1789.

Os pensadores Voltaire e Rousseau personificaram, simultaneamente, as duas tendências daquele momento: o intelectualismo e a sensibilidade. A partir dessas influências, começa então a contagem regressiva para a Revolução Francesa, que se voltaria contra o absolutismo. 0 iluminismo trouxe grandes contribuições à literatura, à educação, à filosofia, à política e a todos os meios literários da nação francesa que culminaram na sua Revolução.

Durante algum tempo, vários escritores e pensadores cristãos puderam viabilizar e estabelecer parâmetros para uma ortodoxia ao cristianismo, usando a liberdade do iluminismo como carro-chefe para escreverem. Dentre eles, destaca-se, em 1802, o escritor François-René de Chateaubriand que, por intermédio de sua obra romanceada, “Genie Cristianisme” (Gênio do Cristianismo), defende a volta ao cristianismo por causa do ateísmo pregado por Rousseau que levava o povo ao abandono da fé cristã.

O pensamento iluminista em parte foi bom, mas deixou um ranço de ateísmo que reflete o pensamento religioso do povo francês na atualidade.


Napoleão Bonaparte


Napoleão I foi imperador da França entre 1804 e1814. Depois disso, reinou cem dias do ano de 1815. Filho de Carlos Bonaparte e de Laetitia Remolino, Napoleão nasceu em Ajaccio Córsega. Aos 15 anos de idade, foi estudar em Paris, em uma Escola Militar. Um ano depois, mais precisamente aos 16 anos, saiu como oficial de artilharia. Nesse curto período de estudo, aprendeu rapidamente os ensinos de Maquiavel, o pai da ciência política e autor do livro “O Príncipe” - um manual seguido por muitos governantes. Baseado nas instruções de Maquiavel, Napoleão governou e comandou suas tropas na Europa e na Ásia, massacrando todo o velho continente.

Em Portugal, expulsou o rei Dom João VI, que fugiu para o Brasil em 1807.

Napoleão foi um grande estrategista político. Mas foi vencido em junho de 1815, após ter governado Paris durante Cem Dias. Depois de sua derrota em Waterloo, ele foi exilado na ilha de Elba, vindo a morrer na ilha de Santa Helena. As duas ilhas ficam na França.


A grande necessidade da França


A capital dos direitos humanos que projetou grandes pensadores humanistas precisa encontrar Deus. Precisa definitivamente reconhecer o Senhor Jesus como único e suficiente Salvador. “Que aproveita ao homem ganhar o mundo todo, perdendo-se ou prejudicando-se a si mesmo?” (Lc 9.25). Ou “o que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perde a sua alma? ou que dará o homem em troca da sua alma?” (Mt 16.26).

A França é respeitada por todos os países do mundo por sua contribuição histórica, cultural, social, econômica, científica e política. Mas qual é o valor de tudo isso se os seus pensamentos estão distantes de Deus? De agora em diante, veremos os motivos que fizeram que a França rejeitasse o evangelho. Um deles foi o avanço científico. O amor de muitos se esfriou. Retentora de uma história milenar (2000 anos), o que explicaria tamanho desinteresse? Quais são os fatores que desencadearam essa repulsa à verdadeira ortodoxia cristã? Bem, se olharmos para a história, veremos que o socialismo, o comunismo e o iluminismo contribuíram para que a França se afastasse do evangelho de Cristo Jesus.


O socialismo é maléfico à Verdade


“Não sou contra nem a favor do socialismo, mas igualdade social não existe”. Esta frase é de domínio público de países que não aderiram ao socialismo. Ricos e pobres, nobres e plebeus sempre existiram. Mas a igualdade social pregada pelo socialismo expressa tão-somente a vontade política do governo, e não a individualidade de cada cidadão. Para melhor ilustrar o que estamos dizendo, digamos que você possua duas casas. Em uma você mora, e a outra, entrega ao governo para que a ofereça a alguém que não tenha onde morar. Este é o princípio do socialismo. Tudo pertence ao governo, inclusive a religião. Com isto, o catolicismo romano, imposto pelo regime socialista, tornou-se a principal religião da França. O comunismo, por sua vez, foi mais severo impondo à força o que o povo deveria fazer. Rechaçando a religião e negando a existência de Deus, o comunismo contribuiu para o ateísmo. Esses, sem dúvida nenhuma, foram os motivos que levaram a França ao vazio espiritual.


A razão cega obstrui a fé em Jesus


O pensamento racional estudado pelo filósofo Jean Jacques Rousseau dizia: “O homem nasceu livre, mas em toda a parte ele vive acorrentado”. Acreditando nesse pensamento, Rousseau influenciou gerações que manifestam a atual situação da França. Para Rousseau, a doutrina do pecado original era absurda e durante anos elaborou defesas contra essa verdade bíblica.

A Palavra de Deus diz claramente: “Todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Rm 3.23). Infelizmente, não havia pessoas para combater esse pensamento contrário à Palavra de Deus. A filosofia humanística pregada por ele causou nos franceses um terrível impacto. “Eles vêem o homem como único resultado do meio em que vive, e só este pode transformar a sociedade. Sendo assim, os franceses se acham independentes de Deus”.


O catolicismo francês


A magnífica catedral de “Notre Dame” (Nossa Senhora) em Paris foi usada por druidas, romanos e gregos para cultos pagãos. Hoje, sua liturgia é centrada no culto a Maria, mas o povo francês dedica-se também a práticas espíritas. A situação lá é semelhante à do Brasil. As pessoas se dizem católicas mas freqüentam cultos espíritas.

Metade da população da França já teve envolvimento direto com o ocultismo. Crêem especialmente em ciências adivinhatórias. Existem mais médiuns registrados na França do que médicos. Somente 6% são católicos praticantes. Mas, por incrível que pareça, esses católicos só conhecem Jesus como um menino natalino nos braços da Virgem Maria.

Dos 59 milhões de franceses, 80% nunca abriram a Bíblia! Como pode um país que se diz “cristianizado” deter essa estatística?


Os imigrantes e suas seitas


Calcula-se que na França 13% da população é de outros países. Esses imigrantes vêm geralmente do continente africano para estudar e trabalhar. Só da África vieram quatro milhões de pessoas trazendo com elas suas religiões e seitas. Uma vez na França, encontram muitos obstáculos para se enquadrarem na sociedade. Por esse motivo, têm de viver nas periferias das cidades.

O nacionalismo e o individualismo exerceram grande influência na vida do país. A França tem-se tornado uma sociedade totalmente dividida e o preconceito contra os imigrantes tem crescido juntamente com o racismo. Oremos para que Deus rompa essas barreiras.


Os crentes franceses


Os evangélicos na França são apenas 1% do total da população de 59 milhões de habitantes. A igreja evangélica francesa é pequena e fragmentada. Lá, os evangélicos são considerados uma seita.

Apesar dos problemas culturais e da falta de fé do povo francês, a AMEM (agência missionária) tem atuado em prol da evangelização do país. Atualmente, essa agência trabalha com quatro denominações evangélicas: os Batistas, a Igreja Livre, os Pentecostais e a Igreja Reformada. Os imigrantes africanos que se convertem ao evangelho recebem grande ajuda da AMEM que, junto com as denominações evangélicas, cuida de sua saúde espiritual. Sem contar que a agência também promove palestras e seminários para evangelizar os mulçumanos de Paris e do norte da França.

O apelo da AMEM para as igrejas é que se mobilizem e busquem missionários vocacionados para atuarem junto a ela. Os interessados serão bem acolhidos e poderão passar um curto período de tempo (como estagiário) empenhando-se ao evangelismo na França.

A França é um país rico e sábio, mas os franceses precisam voltar os olhos para Deus e reconhecerem que tudo neste mundo é passageiro. Todas as coisas são efêmeras, inclusive a riqueza cultural e econômica de qualquer país. Assim, querido leitor, precisamos orar por todas as nações do mundo. Mas o apelo aqui, agora, é pela França. Ainda que afastados de Deus, os franceses são um povo muito amado pelo Senhor, por eles o Filho unigênito de Deus foi enviado para morrer na cruz do calvário (Jo 3.16).


Motivos de oração pelos franceses


* Para que Deus tire toda incredulidade do meio deles.

* Para que reconheçam Jesus Cristo como único e suficiente Salvador.

* Em favor dos missionários e agências missionárias que trabalham na França.

* Para o fim do individualismo frente aos imigrantes.

* Para que entendam que a sabedoria humana sem Deus nada vale.


Religiões na França


Catolicismo, 76%

Calvinistas, 2%

Islamismo, 6,3%

Evangélicos, 1%

Judaísmo, 2%

Outras, 12,7%


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