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    A Índia e o panteão de deuses

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Um dos países mais populosos do mundo teve um início de milênio bem movimentado. Em janeiro, cerca de 70 milhões de simpatizantes e praticantes do hinduísmo peregrinaram até o rio Ganges, considerado sagrado pelos hindus, para a realização do Maha Kumbh (Festival do Grande Cântaro), evento que ocorre a 12 anos na cidade de Allahabad. Para os hindus, Allahabad seria um dos quatro locais onde Garuda, o cavalo alado do deus Vishnu, descansou durante uma batalha com os demônios em torno de um cântaro de néctar divino da imortalidade. O vôo de Garuda durou 12 dias divinos, o que equivale a 12 anos, no tempo comum.

Esse evento foi considerado no Guinness Book como a maior reunião de pessoas para um único propósito. Neste ano, o último dia de festa contou com um surpresa nada agradável a terra tremeu! Foi um dos maiores tremores de terra já ocorrido. O abalo atingiu 7,9 graus na escala Richter e deixou um saldo nada positivo: 30 mil mortos, aproximadamente. Esse número ainda está sob especulação, podendo ser ainda maior ou menor.

Estamos falando da Índia (também conhecido como Bharat Juktarashtra). Localizado no centro-sul da Ásia, esse país possui uma área de 3.287.782 Km2 e é formado por 25 Estados e 7 uniões territoriais. Sua capital é a Nova Délhi. Destacam-se, ainda, as cidades de Bombaim, Calcutá, Madras, Banglore e Hyderabad. Ao norte está a Região do Himalaia e ao centro, o planalto do Decão e a planície setentrional do Ganges, fértil e densamente povoada. Seu clima é de monção: (maior parte) tropical, equatorial, árido tropical e de montanha. Durante oito meses é quente e seco, mas chove bastante no verão. Em 1999, sua população contava 975,8 milhões.

A população indiana é formada por uma multiplicidade de raças, culturas e grupos étnicos. A maioria tem origem nos povos arianos, que criaram a civilização védica e foram basicamente os responsáveis pela formação da sociedade em castas. Esse fator é o grande responsável pela Índia ser um país de dois polos: um extremamente rico e intelectual e outro pobre. As castas se dividem da seguinte forma: Casta alta (4.9%. Brâmanes; a casta sacerdotal), Castas adiantas (10.5%. Kshatriya e vaisya), Castas atrasadas (47.6%) e Castas suplementares (15%). As pessoas que pertencem a esta última casta também são conhecidas como os fora de castas, intocáveis: os harijan, que geralmente são dewtituídos, subjugados e explorados. Os demais grupos, 22% da população, estão divididos entre cristãos, muçulmanos e tribos suplementares, que não constam como castas, mas que são influenciadas por elas.

Vale ressaltar que tal divisão não é amparada pela Constituição em vigência, promulgada em 1950. A partir de 1947, sob a liderança de Mahatma Gandhi, a Índia tornou-se um país independente de seus explorados e colonizadores. Gandhi foi assassinado em 1948 por um nacionalista hindu. Atualmente, o Chefe de Estado da Índia é o presidente Kocheril Raman Narayanan e o Chefe de Governo, o primeiro-ministro Atal Behari Vajpayee.

Andando pelas ruas das cidades indianas percebe-se muitos contrastes. Mas o turista deve lembrar-se de uma coisa: ele é o único diferente. É comum encontrar um homem sentado, de turbante vermelho, flauta na mão e um cesto perto dele e dentro do cesto, najas (serpentes venenosas cuja picada é uma das mais mortíferas do mundo. Com a peculiaridade de dilatar o pescoço quando enraivecida, essa cobra é tida pelos indianos como a encarnação da deusa Manasa). O homem de quem estamos falando é um encantador de serpentes, conhecido como kavelias. Os Kavelias são membros de uma tribo nômade do Estado indiano do Rajastão.

Ao citar essa serpente como um dos deuses indianos, vale ressaltar também a adoração do elefante e da vaca por parte desse povo. A vaca, por sua vez, é considerada um dos animais mais sagrados pelos hindus. Se ela cruzar uma rua e parar no meio do tráfego, deve ser respeitosamente reconduzida do local. Seus estrumes, assim como os dos camelos, são recolhidos para secar ao sol em pequenas porções. Uma vez secos, serão usados como combustíveis para acender fogo. O espaço que temos é restrito para descrever todos os animais que fazem parte da vida politeísta dos indianos: cerca de 33 milhões de deuses!

O hinduísmo é uma religião de vários deuses (politeísmo) praticada pela maioria dos habitantes da Índia. A divindade é vista como uma tríade principal: 1) Brahma, o criador; 2) Vishnu (Krisna), o preservador; e 3) Shiva, o destruidor.


O que acontece nas ruas


Perto dos templos e lugares sagrados, é comum os ambulantes se aproximarem de alguém (principalmente dos turistas) com a mão estendida, como se fossem cumprimentar tal pessoa. Mas não é isso que irão fazer. Trata-se apenas de uma artimanha para colocar uma pulseira religiosa no braço da "vítima" e pedir doação. Demonstrar raiva ou indignação a essa atitude é, sem dúvida, a pior forma de conseguir alguma coisa. O turista deve ter sempre algo para doar e estar para a troca de cartões de visitas. Ao andar pelas ruas, não podem olhar fixamente para as pessoas, principalmente para os mais pobres, pois isto é considerado uma forma de humilhação. Nas avenidas mais barulhentas, além dos cheiros, misturam-se miseráveis, doentes, vacas, cadáveres. O rio Ganges, que corta o país, é de igual forma caótico. Nele, onde milhões se banham num ritual diário de purificação, há esgoto, lixo e cadáveres.

Caso o turista deseje comprar alguma coisa não deve se esquecer de levar a rupia indiana, moeda oficial desse país.

Por ter sido colonizada pela Inglaterra, o inglês é falado na Índia principalmente entre os legisladores e juristas. Contudo, seu idioma oficial é o hindi. Existem ainda 16 línguas regionais oficiais e uma infinidade de dialetos locais.

A Índia é um país com muitas histórias de domínio e poder. E percebemos isso em algumas construções e obras, com destaque para o Taj Mahal, um mausoléu construído pelo Imperador muçulmano Shah Jahan, todo em mármore branco, exclusivamente em homenagem à sua esposa Shah Jahan. Todo em mármore branco e com detalhes em pedras semipreciosas, levou 22 anos para ser concluído.

Vale citar ainda os ghats, escadarias construídas ao longo do rio Ganges para que os indianos tivessem fácil acesso aos banhos matinais.

Outras obras monumentais mostram passados religiosos que vieram a ser assimilados pelo hinduísmo ao longo dos anos. O Islamismo, por não aceitar o politeísmo indiano, criou o seu próprio país: o Paquistão. Essa conquista, no entanto, deixou um rastro de 200 mil mortos nos últimos 40 anos.


Carência espiritual


O movimento missionário na Índia teve início há 200 anos, aproximadamente, com Willian Carey. O fato de a Índia ser um país com 25 Estados e sete Uniões territoriais, a realidade do cristianismo fica descentralizada em números, mas idêntica em fatos. A associação da religião ao Estado é uma forte barreira para a propagação do evangelho. A legislação discriminatória está crescendo cada vez mais entre os Estados e isso tem inibido as conversões ao evangelho. Se uma pessoa se converte, principalmente se for de uma classe subprivilegiada, sofre retaliações. Por exemplo: perde o direito aos empregos e fundos alocados pelo governo.

A lei não protege de maneira adequada os tribais e cristãos subprivilegiados da casta suplementar quando são coagidos pelos extremistas hindus a se converterem ao hinduísmo. Coação. Tem sido essa a forma de coibir o crescimento do evangelho nesse país. A divisão da sociedade em castas não tem prejudicado apenas a expansão do cristianismo, mas também o desenvolvimento da própria sociedade indiana.

A literatura cristã tem ajudado, e muito, a quebrar os fatores adversos à propagação do reino de Deus. Em 1991, por exemplo, 415 milhões de exemplares de literatura cristã foram distribuídos. O resultado foi a resposta positiva de 4,5 milhões e a formação de oito mil comunidades nas vilas. Mas isso não é tudo. A tradução da Bíblia para esse povo, por exemplo, é uma grande necessidade. Atualmente, existem apenas 46 traduções, 35 Novos Testamentos e 60 porções. Um grande esforço deve ser concentrado nesse propósito. Cerca de 13 Novos Testamentos precisam ser revisados e mais de 236 línguas necessitem de tradução. Embora existam 58 línguas em processo de tradução, o cristianismo precisa dar mais atenção para a Índia.

Outro fator urgente: a carência de obreiros, principalmente a formação de obreiros nativos. Hoje, a média é de um pastor para cada oito igrejas e quatrocentas vilas pelo país. Embora a perseguição seja constante, a expansão do ensino da Palavra de Deus fará com que a realidade indiana se torne diferente da que vemos hoje.

Veja, resumidamente, no que eles crêem: os indianos acreditam que cada um, de acordo com sua casta, tem em cada etapa da vida certas obrigações a seguir para poder encarnar melhor. Na infância, a obrigação é estudar. Mais tarde, casar e cuidar de sua família, o que inclui casar suas filhas. E depois de ver o primeiro neto nascer, é hora de retirar-se do mundo e, idealmente, ir e viver na floresta, para cuidar do seu espírito, encontrar Deus e, finalmente, a morte, e com ela a libertação.

O local mais apropriado para entregar-se à morte é a cidade de Varanasi. Morrer ali é quase uma garantia de uma melhor encarnação. Assim, muitos velhos vão para lá e ficam à sua espera, na beira do Rio Ganges, onde milhares de piras funerárias ardem. Antigamente, quando um homem morria, sua mulher (viva) era cremada juntamente com ele, sob toras de madeira, em sacrifício à deusa Sati. Essa prática foi proibida, mas algumas famílias ainda a praticam. Muitos também entregam seus bebês (com vida) ao Ganges em sacrifício aos deuses.

Muitos hindus, fugindo da discriminação, têm-se convertido ao Islamismo.

Amado irmão, como você pôde notar, não é mais possível ficar omisso em relação à obra de Deus! A Índia é um país que precisa dos benefícios da presença de Cristo.


Consulado Geral da Índia

Av. Paulista, 925, 7º Andar

CEP: 01311-100 - São Paulo - SP


Uma árvore muito especial


Os indianos do passado estavam tão enamorados com a beleza maravilhosa da árvore de Ashoka em flor que a imaginação popular teceu um mito agradavelmente romântico em torno dela. A lenda conta que a árvore explode na sua verdadeira glória somente quando é, no início da estação das flores, no fim de março até o início de Abril, cerimoniosamente tocada pelo pé delicado de uma donzela.

A cerimônia tornou-se uma característica importante de Kaam Mahotsava, o festival do deus do amor, Kamdev. Um dia, na estação do florescimento de Ashoka, o oitavo dia da metade escura do mês de Chaitra (nome do mês no calendário hindu correspondente à estação das flores) esse evento passou a chamar-se Ashok Ashtami, que continua a ser celebrado até hoje. O mito girava em volta da história de amor de Malvika e Agnimitra, uma obra dramática de Kalidas, famoso poeta do século VI.

Relatos extensos da literatura sanscrita registram a maneira como a linda donzela foi escolhida para a honra. No esplendor do seu traje, usando tornozeleiras e tendo os pés ungidos com pasta vermelha de mahavar, ela foi conduzida cerimoniosamente para a árvore temperamental. O ritual foi seguido de música e dança.

A árvore de Ashok tem outra associação romântica com Kamdev, o deus do amor. Supõe-se que a sua flor é uma das cinco setas da aljava desse deus que ele joga no coração dos grandes amantes. As outras quatro são como as flores da mangueira, do lotus azul, d o lotus vermelho e do jasmim.

Era tradicional organizar um festival anual de amor debaixo de uma árvore de Ashok. O evento acontecia durante três noites consecutivas e era, portanto, chamado Ashok Triratram. A ocasião era propícia para os namorados trocarem palavras doces ou fazerem voto de amor eterno. Na época, a moda para a mulheres era usar flores de Ashoka e suas folhas macias para enfeitar as orelhas.


Pavão, o pássaro nacional da Índia


O barulho do bater das asas do pavão, durante um período de chuva, faz com que os animais e as plantas desfrutem, ao mesmo tempo, dessa bênção da natureza. E o seu ritual, por assim dizer, enche também os corações com imensa alegria. O majestoso pavão, rei dos pássaros, com o bater de sua plumagem esplêndida e colorida e dança encantadora agradece a Deus pela chuva que cai. O seu piado musical e a tremedeira elétrica de suas penas oferecem aos ouvidos notas mágicas. Por esse motivo ele foi coroado como o pássaro nacional da Índia.

Dentre todas as aves, o pavão alcançou uma posição especial na civilização da Índia - seja na crença religiosa, mitológica, folclórica, musical ou literária. As suas penas têm enfeitado a cabeça do Senhor Krishnaand e servem de veículo (vehan) para Saraswati, a deusa do conhecimento. O Rigveda glorifica as virtudes desse pássaro. No Ramayana, há uma história interessante do Senhor Indra que se disfarça de pavão para escapar da fúria do demônio Ravana. Dizem que Indra, por sua vez, deu ao pavão a plumagem celestial, com mil olhos, e o poder de ser o anunciador das chuvas e o destruidor das cobras.

A mitologia ocidental também possui muitas fábulas sobre o pavão. Há um mito que diz que quando o pavão foi criado, Deus foi acusado de favoritismo pelos Sete Pecados Mortais ao dar cores tão bonitas a esse pássaro. Deus, portanto, colocou os olhos desses 'pecados' nas penas; as cores amarelas, vermelhas e verdes são as cores da inveja, do assassino e do ciúme. Dizem que os pecados ainda perseguem o pássaro para retirar os seus olhos. A mitologia grega acredita que o Juno malandro, esposa de Júpiter, capturou os cem olhos do demônio Argus e transplantou-os no pavão, seu preferido.

Na arte e na literatura o pavão também encontra lugar importante, como no sânscrito e escritos antigos. Esses trabalhos estão cheios de referências a esse pássaro encantador e ao seu relacionamento próximo com a sociedade humana. Kalidada, o famoso poeta e dramaturgo de língua sanscrita do século V, compôs suas grandes obras, tais como: Kumarsambhava, Meghduta, Raghuvamsa e Ritusamhara, representando o elo íntimo no contentamento ou angústia entre o pavão humano. Nas obras-primas posteriores de literatura do período medieval, como, por exemplo, Banabhatta, Bhavabhuti e Bharavi, o pavão continua a reter o seu lugar especial.

Na Índia, o pavão é conhecido por muitos nomes. O mais comum deles, o 'Mayur', deriva-se do sânscrito, e significa 'Matador' - o matador de cobras. No norte da Índia, o pavão é conhecido por 'Mor'. Por causa de seu pescoço azu, esse pássaro é conhecido como 'Neelkantha' (Aquele com Pescoço Azul). Essa cor está ligada ao veneno da cobra que torna o corpo azul.

Outro detalhe importante. Na Índia, o pavão não é somente um objeto de beleza, mas tem sua importância no ecossistema. Por isso é protegido pela Lei Indiana de Vida Selvagem (1972).


Danças populares de Kargil: celebração à vida


Kargil, o segundo maior centro urbano de Ladakh, está situado nas margens do rio Suru. E é também sede do distrito de Kargil. Embora toda a sua área seja inacessível durante o inverno, devido à neve intensa, seus campos regados pelos riachos das montanhas em redor produzem uma rica plantação de trigo, cevada, ervilha, entre outras variedades de vegetais e cereais. Frutas como maçãs e amoras, entre outras, crescem em abundância por lá. Plantações espessas de âlamos e salgueiros oferecem uma riqueza rara a esse local e a outras partes de Ladakh.

Em tal atmosfera robusta, o povo pertence a diferentes religiões e crenças. As tribos de Brokpa e Purik também vivem lá desde há muito tempo. Sobre os Brokpa, dizem que eles são descendentes dos soldados de Alexandre da Macedônia. E podem ser reconhecidos pelo seu vestuário com desenhos geométricos. Sempre usam um chapéu pesado enfeitado com flores coloridas, filas de agulhas, laços etc. Suas feições são puramente indo-arianas, e têm conservado sua pureza racial no decorrer dos séculos. As senhoras usam vários tipos de enfeites na cabeça e pescoço. Tais adornos são feitos de prata, corais e pedras semi-preicosas, dentre as quais encontra-se a (firoza (turquoise). Os brokpas são pessoas descontraídas que gostam de se divertir, adoram cantar e dançar em festivais, especialmente na época de Bono-na, uma festa de comemoração à colheita.

Outra tribo conhecida por Purik também celebra o advento da Primavera com dança e música. Seus costumes são diferentes dos da tribo de Brokpa. As mulheres dançarinas usam o tradicional kurta (camisa) longo e preto com punhos cor de laranja, verde e amarelo, um chunni branco (longo lenço) e um salwar ou pijama (calças). Os homens trajam uma roupa tradicional branca ou creme, um xale (pano jogado por sobre os ombros), um cinto e um chapéu. Enquanto dançam, tanto os homens como as mulheres seguram flores nas mãos.

Ambas as tribos dançam em grupo. Seus estilos de dança são gentis, constituídos por movimentos leves e ondulares em passo lento, com um entrelaçar de braços. Os dançarinos são graciosos e encantadores e suas posições são muito delicadas. Geralmente, eles dançam em círculos ou semicírculos. Todos os músicos sentam de um lado para tocar seus instrumentos e cantar suas músicas.


Por Jardean Cruz


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