Verbo



Homem versus tempo


Os grandes filósofos da antiguidade empenharam horas e horas dissertando sobre o tema supracitado, chegando a volumosos compêndios sobre a questão. Contudo, jamais conseguiram esgotá-la. Entretanto, temos hoje algumas definições que podem nos ajudar a compreender pelo menos parte do assunto, nos proporcionando grandes ensinamentos para o nosso cotidiano. Vejamos alguns resumos destes ensinos.

O homem tem duas vidas: espiritual e material. Esta definição também é confirmada nas Sagradas Escrituras, quando dizem: "E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo" (Hb 9.27). Ou seja, vida eterna ou condenação eterna.

Por outro lado, encontramos nos Escritos Sagrados orientações sobre a vida material. Destacadamente, no livro de Eclesiastes, que trata claramente da vida temporal, ou seja, da vida limitada ao tempo. Assim, deste argumento concluímos duas vidas para o homem: uma limitada ao tempo e outra atemporal.

Analisaremos apenas a vida temporal, que é de fato o assunto em epígrafe. Aprendemos bem cedo a dividir o tempo em três partes distintas: passado, presente e futuro. Com esta decomposição do tempo e fazendo uso da geometria analítica, podemos construir uma reta simbolizando nossa existência material. Se você, leitor, quiser, pode fazer este ensaio. Para isso será preciso apenas que possua uma folha de papel sulfite ou similar, uma régua escolar e um lápis ou caneta.

Vamos para o primeiro passo de nosso ensaio filosófico sobre o tempo. Como mostra a figura 1, construa uma reta e divida esta reta em setenta partes iguais. Por que setenta partes iguais, alguém pode indagar? O número serve para representarmos o tempo da nossa vida, uma vez que as pesquisas recentes têm demonstrado que o homem vive em média setenta anos, logo, cada divisão da nossa reta representa um ano.

Mas alguém poderia ainda questionar: como posso ter certeza se viverei mais ou menos setenta anos? Lembre-se de que esta proposição de idade média foi escolhida apenas para fins estatísticos, pois não ignoramos o ensino bíblico de que o dia de amanhã não nos pertence (Mt 6.34).

Vamos para o segundo passo do nosso ensaio. Marque sua idade na reta construída, conforme exemplifica a figura 2. Localizamos neste passo os três momentos do tempo em nossa vida: o passado, indicado no lado esquerdo do ponto que assinala sua idade; o presente, indicado no ponto que assinala sua idade atual; e o futuro, do lado direito do ponto conforme exemplifica a figura 3.

O trecho que compreende o passado deve ser anulado, conforme mostra a figura 4. Lembre-se do que diz a Palavra de Deus em Isaías 43.25: "Eu, eu mesmo, sou o que apago as tuas transgressões por amor de mim, e dos teus pecados não me lembro mais". Portanto, como diz o provérbio popular: "Não devemos chorar pelo leite derramado", pois a única utilidade do passado são as experiências que nos propiciam ter maior cuidado com o presente para que projetemos um futuro melhor.

Finalmente, no trecho da reta que compreende o futuro colocaremos um ponto de interrogação, porquanto, como já vimos, o nosso futuro está nas mãos de Deus.

Restou um único ponto na reta, o qual indica o momento presente da nossa vida. Este é, sem dúvida, o único tempo que está sob o nosso domínio. É nele que devemos atuar. O presente é, de fato, o tempo garantido que dispomos para fazer o que desejamos. Mais uma vez, a Palavra de Deus recomenda: "Ensina-nos a contar os nossos dias de tal maneira que alcancemos coração sábio" (Sl 90.12).

Retornando aos princípios filosóficos, encontramos um argumento que norteia este ensaio sobre a relação homem versus tempo, o qual declara: "Gastando o que não posso guardar em busca daquilo que não posso perder". Ou seja, já que não é possível guardar o tempo, devemos utilizá-lo naquilo que de fato vale a pena. Sugestão: "a obra de Deus", pois não podemos, em hipótese alguma, perder esta grande oportunidade. De outra forma, de que vale ao homem utilizar o tempo para ganhar o mundo inteiro e perder sua própria alma na eternidade? (Mt 16.26).


Por Antonio Fonseca


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