Apologética



Hinduísmo – Parte 03 – Suas crenças


O hinduísmo é uma religião de muitas crenças, quase qualquer tipo de devoção a uma divindade se encaixa dentro dos padrões hindus de fé. Ao contrário das demais religiões que se desenvolvem por meio de esforço missionário, o hinduísmo cresce absorvendo outras crenças e assimilando-as ao seu contexto. Dizem: Que os outros se transformem; nós não temos essa necessidade, mostrando assim que realmente não há uma doutrina fixa e que o hinduísmo se adapta com muita facilidade.

A diversidade de crenças é tão grande que certo autor insistiu em uma resposta bem peculiar à pergunta: ‘O que é um hindu?’ Respondeu ele: ‘Todo aquele que se considera hindu, é hindu’.1

No entanto, é possível notarmos alguns fatores comuns entre aqueles que se intitulam hindus: os Vedas continuam sendo respeitados e usados como escritos sagrados, a reencarnação (Samsara), o carma que afirma que cada ação tem uma conseqüência, o dharma que é a lei de todas as coisas, o princípio da não-violência, o sistema de castas e o moksha, libertação do ciclo de renascimento.

Assim como são muitos os fatores que dividem o hinduísmo, fazendo dele uma crença ambígua, vários são os pontos comuns. Faremos, então, uma análise destes fatores à luz da Bíblia.

3.1. – OS VEDAS – OS ESCRITOS SAGRADOS

Os hindus afirmam que seus escritos sagrados são os maiores e mais antigos do mundo. Estes foram redigidos durante um período de 2000 anos, de 1400 a.C a 600 a.D.

A palavra Vedas (vid em sânscrito), significa conhecimento ou sabedoria. São os mais antigos escritos hindus, que a princípio eram transmitidos por tradição oral, mas em 1400 a.C foram compostos na forma escrita. São uma coleção de hinos, ritos e regras sobre rituais. Sendo uma coleção de textos bastante heterogênea, contém livros didáticos, sapienciais, litúrgicos, entre outros.

Os Vedas são quatro livros: Rig-vedas, Sama-vedas, Yajur-vedas e Atharva-vedas. Em cada Veda há quatro seções que são: Brahmansas, Sahitas, Aranyakas e Upanihshadas.

Estes escritos contêm toda a essência da fé hindu, seus rituais, a descrição das divindades, o relato da criação do universo. São a autoridade da religião hindu.

Há também o Bhagavadgita, um poema de 700 estrofes que conta a história de Krishna, as Puranas, que incluem lendas sobre deuses e descrevem peregrinações e rituais, e outros que foram acrescentados no decorrer dos séculos.

Tais escritos eram levados tão a sério que se escreveu a respeito deles:

Tão sagrados eram os Vedas, nas mentes dos seguidores do hinduísmo, que nos primeiros dias nenhuma pessoa de casta inferior podia ouvi-los ou recitá-los. Se ousasse fazer tal coisa, era derramado metal derretido sobre seus ouvidos e sobre a sua língua.2

Resposta Apologética:

A Bíblia afirma ser a divina revelação de Deus (2 Tm 3.16-17) e que nenhuma parte dela foi dada por vontade humana (2 Pe 1.21). Assim, ela é a única fonte de autoridade em nossas vidas.

No hinduísmo, vemos muitas práticas e crenças que se chocam com os ensinos da Palavra de Deus, uma delas está em considerar os Vedas como textos sagrados. Nenhum outro escrito além da Bíblia contém a revelação divina; este erro vem justamente de não se conhecer a Palavra. O Senhor Jesus afirmou: Porventura não errais vós em virtude de não saberdes as Escrituras nem o poder de Deus? (Mc 12.24).

A Bíblia é inspirada por Deus e suas palavras continuam sendo Palavras de Deus. Ela foi a forma escolhida por Ele para se fazer conhecido aos homens.

Nenhuma outra Escritura registra a vontade do Senhor como a Bíblia, ela é a revelação plena do meio de salvação escolhido por Deus para o homem, este meio é o Senhor Jesus Cristo.

3.2. – CARMA, SAMSARA E MOKSHA – A LEI DE VIDA CÍCLICA

Segundo a crença hindu, o carma confere a cada indivíduo o seu destino, é um mecanismo de compensação de vidas passadas, onde tudo que o indivíduo tivesse praticado contra a moral e os bons costumes em uma vida seria compensado com sofrimento em novas vidas. É a lei de causa e efeito que diz que cada ação realizada, seja boa ou má, tem uma conseqüência em outra vida. Assim, os hindus crêem em reencarnações sucessivas, durante as quais vão sendo aperfeiçoados, a vida é um ciclo constante de morte e renascimento.

Quando a pessoa morre, diz o hinduísmo, a alma migra para outro corpo. Desta forma, de acordo com a vida que o hindu teve, na próxima reencarnação, ele nascerá em outro corpo, evoluindo para uma casta superior, ou regredirá, podendo reencarnar no corpo de um animal, cada vez mais desprezível, segundo eles, até o nível mais baixo, que seriam os insetos e répteis.

Este é o Samsara, o processo de vidas sucessivas que continuará, por toda a eternidade, a menos que a pessoa alcance o moksha.

Moksha é o estágio de libertação do processo de morte e renascimento, quando o indivíduo toma consciência de sua identidade com o absoluto. Vivendo uma vida de acordo com os padrões estabelecidos por sua casta, sendo devotado a uma divindade e cumprindo os rituais e observando os princípios morais, o hindu crê que reencarnará sucessivas vezes, evoluindo, assim, até chegar ao estágio em que estará livre deste processo.

Resposta Apologética:

A Bíblia nos diz que temos apenas uma oportunidade de sermos salvos, e esta é enquanto temos vida (Is 55. 6-7; 2 Co 6.2). Após a morte vem o juízo do Senhor (Hb 9.27). Para aqueles que tiverem crido no Senhor Jesus há a salvação eterna, para aqueles que não crerem, a perdição eterna (Mt 25.46; Lc 19.22-23).

Os hindus, por intermédio desta crença, professam a mesma idéia reencarnacionista que os espíritas tanto propagam: o homem vive, morre, reencarna para evoluir espiritualmente até que chega a um estágio avançado onde se liberta desse ciclo.

Aquele que crê no filho tem a vida eterna; mas aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus (Jo 3.36).

E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disto o juízo (Hb 9.27).

3.3. – DHARMA – A LEI DE TODAS AS COISAS

Significa aquilo que é certo, são as leis naturais que devem ser seguidas pelos devotos hindus, cada casta tem o seu dharma, suas diretrizes de comportamento ético e social.

Pelo Dharma se determina a correção e o desacerto dos atos das pessoas; está intimamente ligado ao sistema de castas, pois é, ao mesmo tempo, lei, virtude e ação meritória, uma obrigação que governa todas as manifestações da vida indiana. É a forma correta de se viver, fora da qual o devoto está se distanciando de seu moksha.

Resposta Apologética:

Várias são as religiões que estabelecem padrões rígidos de conduta para seus adeptos, porém o que vemos na Bíblia é a simplicidade do Evangelho, e o próprio apóstolo Paulo temia o afastamento dessa realidade (2 Co 11.3).

O homem não precisa viver debaixo de leis e regras: Não toques, não proves, não manuseies? Quais coisas perecem pelo uso, segundo os preceitos e doutrina dos homens (Cl 2.21).

O Senhor Jesus veio para que por meio dele tivéssemos a salvação e a Vida Eterna com Deus (Jo 3.16). Devemos crer nele e confessá-lo como nosso Salvador (Rm 10.9,13; At 16.31) e seremos salvos. Nossa salvação não depende de rituais e obras que possamos fazer (Ef 2.8-10).

Essa é a verdade revelada por Deus acerca da nossa salvação. Por isso, devemos orar pelo povo hindu, e enviar missionários para que eles possam ouvir a Verdade que liberta. E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará (Jo 8.32).

3.4. – AINSA – O PRINCÍPIO DA NÃO-VIOLÊNCIA

Ainsa (sânscrito Ahinsa) é o princípio absoluto da não-injúria. Por considerarem que todas as formas de vida, desde o menor inseto até os vegetais e pedras possuem uma alma da mesma essência e natureza da alma humana, os hindus obedecem ao ainsa, pois acreditam que todas as formas de vida estariam se esforçando no caminho da salvação. Alguns chegam ao ponto extremo de usarem uma espécie de véu sobre o rosto, com a finalidade de evitar que algum inseto entre em sua boca e assim seja morto (!).

Essa crença é a base para o vegetarianismo hindu e o respeito aos animais.

O Ainsa ganhou notoriedade em 1947 com Mahatma Gandhi, que com sua liderança não-violenta, ajudou a conseguir a independência da Índia da Grã-Bretanha. Dizia Gandhi: A não-violência é o primeiro artigo da minha fé. É também o último artigo do meu credo.3

Resposta Apologética:

Nas Escrituras, encontramos orientação do Senhor para que sejamos pacíficos (Rm 12.18)

e que devemos respeitar todas as formas de vida, criação perfeita do Senhor que muitas vezes geme por causa do pecado do homem (Rm 8.20-22). Porém chegar a extremos seria idolatria.

Na Bíblia não vemos base para o vegetarianismo, mas o contrário disso. Por ocasião da criação do homem, o Senhor lhe deu de toda a erva e todo o fruto para lhe servir de alimento (Gn 1.29), mas quando Noé e sua família saíram da arca, o Senhor lhes disse: E o temor de vós e o pavor de vós virão sobre todo o animal da terra, e sobre toda a ave dos céus; tudo o que se move sobre a terra, e todos os peixes do mar, nas vossas mãos são entregues. Tudo o quanto se move, que é vivente, será para vosso mantimento; tudo vos tenho dado como a erva verde (Gn 9.2-3). Dando assim a liberdade ao homem de se alimentar de carne.

3.5. – O BANHO SAGRADO

A cidade de Benares, onde se localiza o Rio Ganges, é a grande meta de peregrinação dos hindus. O hinduísta fiel chega a percorrer centenas de quilômetros para poder mergulhar ao menos uma vez nas águas do Ganges, o Rio Sagrado.

A esperança de todos é poder morrer à beira do Ganges, para que a alma seja assim purificada de todo o pecado e possa alcançar a libertação definitiva.

Para o hinduísta, um banho no Ganges é como um banho no céu; todos os dias ao cair da tarde milhares de peregrinos se congregam às margens do rio a fim de dar um mergulho de purificação para lavar os pecados do corpo. Acredita-se que as águas do rio quando bebidas são capazes de curar males e enfermidades. O rio é adorado como um verdadeiro presente dos deuses.

Resposta Apologética:

O Ganges nasce no Himalaia, ao norte, e corre em direção leste por mais de mil quilômetros, até desaguar na Baía de Bengala, em Bangladesh. É um rio poluído, de águas malcheirosas, onde, enquanto lavadeiras batem roupas, crianças brincam na água suja e astrólogos fazem horóscopos, os peregrinos se banham.

Às suas margens são cremados os corpos dos mortos que têm suas cinzas depois jogadas no rio, o que é considerado uma grande honra para todo hindu, e a certeza de assim alcançar a purificação. Porém, não raro, algum cadáver é visto boiando, pois os corpos dos pobres que não podem pagar pela cerimônia de cremação são jogados diretamente no rio, deixando aos peixes e abutres a tarefa de purificá-los.

Vemos nessa crença a forma de idolatria que tomou conta do povo hindu. Nas mesmas águas lava-se roupa, brincam as crianças, jogam-se cinzas de corpos, bóiam cadáveres, e ainda considera-se um privilégio banhar-se em tais águas e beber-se delas!

A Bíblia nos adverte sobre qualquer forma de idolatria (1 Jo 5.21). Podemos ver na vida do povo hindu, um profundo respeito e amor pela sua crença, que os leva até o ponto de considerar, de acordo com seus ensinos, um rio poluído como o Ganges, uma parte da divindade e um presente divino. No entanto, eles precisam da verdade que liberta (Jo 8.32), pois como disse o apóstolo Paulo, têm zelo, mas não têm entendimento (Rm 10.2).

3.6. – VARNA – O SISTEMA DE CASTAS

Sem dúvida, algo que caracteriza a religião hindu são as castas.

O sistema de castas converteu-se na principal instituição da sociedade indiana e consiste na divisão da sociedade em níveis distintos, formados de pessoas da mesma ocupação ou dotados de costumes comuns.

Cada casta tem suas próprias regras de conduta e prática religiosa, que determinam com quem a pessoa pode se casar, o que ela pode comer, com quem pode se associar e que tipo de trabalho pode realizar.

Existem nessa divisão quatro castas básicas:

• Brâmanes – os sacerdotes;

• Xátrias – os guerreiros e príncipes;

• Vaixás – os burgueses, artesãos, criadores de gado e comerciantes;

• Sudras – os servos e escravos.

Além dessas, existem centenas de subcastas, que variam de região para região.

As diferenças sociais impostas pelas castas são tão sérias que não é permitida a refeição em comum, nem sequer uma participação conjunta em atividades profissionais.

A quebra de qualquer dessas obrigações acarreta na expulsão da casta, o que faz com que a pessoa se torne um pária ou intocável, uma pessoa sem casta que vive à margem da sociedade.

Essa divisão não preocupa o hindu, para quem atuar dentro dos padrões requeridos por sua casta faz parte da ordem natural do universo. A ordem social divide as pessoas em castas, assim como a vida se manifesta em formas inferiores e superiores – pensam. Essa posição faz com que o devoto veja a vida com muito mais conformismo, sem reclamar de sua situação, e se esforçando para cumprir os deveres de sua casta da melhor maneira possível.

O sistema de castas surgiu na Índia desde os primórdios do hinduísmo, com os arianos, e desenvolve-se definitivamente a partir de 850 a.C. Apesar de o governo indiano tê-lo declarado oficialmente extinto na Constituição de 1947, ele continua tendo um papel importante na sociedade.

Resposta Apologética:

Diante do Senhor, segundo a Bíblia, não há diferença entre pessoas (Rm 2.11).

A divisão de uma sociedade em castas, como acontece na Índia, além de ser ilegal, quebra princípios da Palavra de Deus. Não é aceitável um sistema que divide as pessoas, obrigando-as a viver como inferiores umas às outras e escravizando-as impondo limites, que na verdade não existem.

Apesar de o hindu não reclamar de sua condição, não o faz por acreditar que assim, em uma próxima encarnação, terá melhor sorte, o que sabemos, não acontecerá (Hb 9.27).

Diz a Palavra do Senhor: Não há judeu, nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos sois um em Cristo Jesus (Gl 3.28). Assim, todos temos acesso a Deus e somos considerados iguais perante Ele, estando debaixo da mesma condenação pelo pecado, mas também com direito à mesma salvação pela graça em Cristo Jesus, e aos mesmos privilégios da adoção.

Disse Champlin: Para nós, o sistema de castas é uma violação dos direitos humanos; mas, para os hindus, é uma maneira de alguém se desincumbir devidamente de seus deveres, em consonância com o que a evolução espiritual de uma pessoa fez à alma. Interromper o sistema de castas seria interromper o carma. O conceito do dever, no hinduísmo, é mais importante do que aquilo que nós consideramos como os direitos humanos.4

Essas palavras resumem o cerne do sistema de castas, porém, este está completamente fora dos padrões encontrados na Palavra de Deus.


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